Ia tendo uma síncope cardíaca quando cheguei e vi "fim". Felizmente que nas suas repostas aos nossos comentáriios estava o esclarecimento.
O que somos se apagamos a pedra que antes nos queimava as mãos em pleno Inverno? E esse olhar vítreo que nos olha, quem é?
O silêncio, sim, é implacável porque nos desnuda ante nós mesmos, tanto quanto isso é possível.
Mas também é implacável porque contém todas as vozes, os rumores, os murmúrios...
é um poema lindo... mas a foto é muito fantasmagórica.
Afixado por Mississipi em dezembro 3, 2007 11:45 PMSíncopes não, cxara! Ainda não será hoje que o Nocturno acaba. E também não carecia :)
Pois é, a pedra precisa que se lhe sopre para avivar o fogo, a tal divina respiração que mais não será talvez que o afecto expresso, a esperança, a alegria criadora, a atenção ao outro... Quanto ao silêncio, de acordo: esse carácter ambivalente e as nossas complicadas mentes.
Não sei de quem é o olhar que nos fita, e do pintor pouco sei, excepto que é contemporâneo e se inspira na iconografia da Revolução Cultural e no surrealismo ocidental. Achei que essa síntese do oriente com o ocidente acompanharia bem este poema acerca do qual se discutiu noutro local se "ainda" era chinês ou já fruto da globalização. Prefiro pensar que é universal.
O olhar na pintura parece o de alguém cuja pedra se tornou sombra. Talvez por isso o meu amigo mississipi a achou fantasmagórica. Também me pareceu, Daniel. E gosto dessa fantasmagoria. Pareceu-me que poderia representar gente desapossada de alguma parte da sua humanidade.
Um beijo aos dois
Uma pedra acesa, com luz, com calor. Foi feita sombra, frio, sede talvez. O correr dos dias tem destas coisas...
Um beijo Soledade.
De facto tem, Graça. Nem tudo resiste ao correr dos dias. Por outro lado, há que aceitar o que vem vindo, umas brasas, uns lampejos.
Um beijinho para si
da luz imensa à sombra... esperemos que, no virar de novo «os dias como páginas», a sombra volte a ser luz - como é da natureza das cousas.
Afixado por maria m. em dezembro 6, 2007 08:36 AMEterno retorno, encontro e fusão dos contrários. Agrada-me a ideia, maria.
Afixado por soledade em dezembro 6, 2007 03:27 PMDo calor até ao frio e do frio tornar-se sombra. Nada serviu essa "oferta", o Inverno terá sido mais forte e os seus dias.
A sombra será apenas uma "imitação" de vida ou pelo menos uma vida menor.
A luz terá que renascer à frente dos olhos e as nossas mãos, sejam ou não oferecidas pedras quentes.
Carlos, o teu comentário lembrou-me o Ecclesiastes. Nem eu bem sei o motivo. Tens razão, a vida não se funda na dádiva ou na promessa de pedras quentes. Teremos de aquecer sozinhos as mãos, que é como quem diz, achar por nós o sentido de tudo. Mas é um caminho árduo.
Um abraço, bom domingo
O poema é um achado completo! Lindo. Do calor ao frio, da vida à ausência de vida...
E a fotogradia que o acompanha é impressionante. Agrada-me muitíssimo!
Beijos,Sol,
Silvia
Afixado por Silvia chueire em janeiro 7, 2008 09:43 AMÉ um poema de uma extrema simplicidade, sem "rodriguinhos", que desenha um ciclo completo, da plenitude ao vazio. Gostei muito dele, assim como da imagem. Sabia que você também gostaria de ambos :)
Afixado por sol em janeiro 7, 2008 08:04 PM