Comentários: Fim

Ia tendo uma síncope cardíaca quando cheguei e vi "fim". Felizmente que nas suas repostas aos nossos comentáriios estava o esclarecimento.
O que somos se apagamos a pedra que antes nos queimava as mãos em pleno Inverno? E esse olhar vítreo que nos olha, quem é?

O silêncio, sim, é implacável porque nos desnuda ante nós mesmos, tanto quanto isso é possível.
Mas também é implacável porque contém todas as vozes, os rumores, os murmúrios...

Afixado por cxara em dezembro 3, 2007 11:21 PM

é um poema lindo... mas a foto é muito fantasmagórica.

Afixado por Mississipi em dezembro 3, 2007 11:45 PM

Síncopes não, cxara! Ainda não será hoje que o Nocturno acaba. E também não carecia :)

Pois é, a pedra precisa que se lhe sopre para avivar o fogo, a tal divina respiração que mais não será talvez que o afecto expresso, a esperança, a alegria criadora, a atenção ao outro... Quanto ao silêncio, de acordo: esse carácter ambivalente e as nossas complicadas mentes.

Não sei de quem é o olhar que nos fita, e do pintor pouco sei, excepto que é contemporâneo e se inspira na iconografia da Revolução Cultural e no surrealismo ocidental. Achei que essa síntese do oriente com o ocidente acompanharia bem este poema acerca do qual se discutiu noutro local se "ainda" era chinês ou já fruto da globalização. Prefiro pensar que é universal.

O olhar na pintura parece o de alguém cuja pedra se tornou sombra. Talvez por isso o meu amigo mississipi a achou fantasmagórica. Também me pareceu, Daniel. E gosto dessa fantasmagoria. Pareceu-me que poderia representar gente desapossada de alguma parte da sua humanidade.
Um beijo aos dois

Afixado por soledade em dezembro 4, 2007 03:57 PM

Uma pedra acesa, com luz, com calor. Foi feita sombra, frio, sede talvez. O correr dos dias tem destas coisas...
Um beijo Soledade.

Afixado por Graça Pires em dezembro 4, 2007 07:24 PM

De facto tem, Graça. Nem tudo resiste ao correr dos dias. Por outro lado, há que aceitar o que vem vindo, umas brasas, uns lampejos.
Um beijinho para si

Afixado por soledade em dezembro 4, 2007 07:52 PM

da luz imensa à sombra... esperemos que, no virar de novo «os dias como páginas», a sombra volte a ser luz - como é da natureza das cousas.

Afixado por maria m. em dezembro 6, 2007 08:36 AM

Eterno retorno, encontro e fusão dos contrários. Agrada-me a ideia, maria.

Afixado por soledade em dezembro 6, 2007 03:27 PM

Do calor até ao frio e do frio tornar-se sombra. Nada serviu essa "oferta", o Inverno terá sido mais forte e os seus dias.
A sombra será apenas uma "imitação" de vida ou pelo menos uma vida menor.
A luz terá que renascer à frente dos olhos e as nossas mãos, sejam ou não oferecidas pedras quentes.

Afixado por Carlos Rodrigues em dezembro 7, 2007 05:43 PM

Carlos, o teu comentário lembrou-me o Ecclesiastes. Nem eu bem sei o motivo. Tens razão, a vida não se funda na dádiva ou na promessa de pedras quentes. Teremos de aquecer sozinhos as mãos, que é como quem diz, achar por nós o sentido de tudo. Mas é um caminho árduo.
Um abraço, bom domingo

Afixado por soledade em dezembro 9, 2007 12:08 PM

O poema é um achado completo! Lindo. Do calor ao frio, da vida à ausência de vida...
E a fotogradia que o acompanha é impressionante. Agrada-me muitíssimo!

Beijos,Sol,

Silvia

Afixado por Silvia chueire em janeiro 7, 2008 09:43 AM

É um poema de uma extrema simplicidade, sem "rodriguinhos", que desenha um ciclo completo, da plenitude ao vazio. Gostei muito dele, assim como da imagem. Sabia que você também gostaria de ambos :)

Afixado por sol em janeiro 7, 2008 08:04 PM