"Balaustrada de brisa
para apoiar esta tarde
a minha melancolia"
do Ungaretti que eu sei que gostas e que dialoga muito bem com a tua balaustrada.
E quando se repara que o sabão da barba começa a ser cada vez mais da cor dos nossos cabelos? Olhando-os, sabemos que já passaram muitos anos, mas que fazer senão sorrir e procurarmos ser "fiéis".
O espelho fala connosco todos os dias, mas os ouvidos não são assim tão sensíveis à sua voz.
Interessa ser fiel à vida.
Nenhuma linguagem explica o difícil jogo de viver, quando o tempo converge na sombra das árvores chorando as folhas.
Um beijo Soledade.
O choupo gosta dos ares e da vizinhança das ribeiras e dos rios.As 3 folhas falam pela ausência das outras; quer as ausentes, quer as persistentes são fiéis ao choupo porque são fiéis ao seu próprio destino.
"Torna-te no teu próprio destino."- li hoje;
a fidelidade só pode continuar a sê-lo- é a fidelidade a nós prórios (digo eu.
A fidelidade, a todos e a tudo, é tão sua, Soledade! Faz tão parte de si! Pois vai acalentá-la no coração e alimentá-la na alma, para, quando a árvore voltar a ser árvore e voltar a ficar nua, só com as três folhas lá em cima, elas a reconhecerem e saberem que passou mais um ano, mas que uma Amiga esperou por elas ! Três folhas, três Graças, três ...vezes cantou o galo e três vezes Pedro negou Jesus, três cruzes cravadas no alto... (para o que me havia de dar agora ...)
Um beijinho, Amiga, e bom fim de semana.
Fidelidade - a nós? e o que é nós?Ou que nos vamos fazendo ser nós?
«Pára, meu coração penses!Deixa o pensar na cabeça»!
Se não formos também fidelidade, quem seremos afinal? E, deixe lá porque mesmo se porventura as folhas se forem com o vento, verá que a pergunta permanece...:)e a dificuldade em lhe responder.
Era minha intenção dizer que gostei do sítio, mas acabo sempre por levar TPC's!
Bjinhos
Agradeço os vossos comentários que acrescem ao pequeno poema. Viver em fidelidade a nós e à nossa inteireza pode ser, por paradoxal que pareça, fracturante, como sabemos. Mas tentamos cumprir-nos, tal como o choupo e as folhas, não é? E por falar nisso, as folhas, eloquentemente, cairam há duas noites.
Um grande abraço a todos e obrigada pela vossa gentileza.
Vais ver as folhas cair
depois das neves dos frios
os ramos um dia voltarão
a reviver a florir
e tu verás passar
os pássaros ouvir
o canto das águas dos rios
e vais sorrir!!!
Beijos.
Parte de uma exposição de imagens definidoras do tempo que passa, para chegar ao principal, que é o último verso, um verso tão forte que parece fazer a marcha inversa e abranger a totalidade do poema.
Havia de existir um quadro de honra na blogosfera para pôr este poema, mas se pusesse este deparava-me com o embaraço de não pôr muitos outros que estão a dormir no Nocturno. Dantes dizia que a sua poesia era osmótica, que nos entra na pele e vai até ao coração. Dizia e digo. É uma alegria ler poemas bons e senti-los passar para dentro de nós. Refiro-me mais propriamente a este seu.
Afixado por nd em dezembro 10, 2007 09:54 PMmais dramático será quando nem três folhas restarem...
Afixado por Elypse em dezembro 11, 2007 06:59 PMJá não resta nenhuma, pá! Cairam todas.
Olá, Luís, que fazes por estas bandas? :)
Vim te visitar, ainda que não mereças :)
Então, mas tens a audácia de sobreviver às três folhas - realmente, que raio de fidelidade :)))
Abraço
Afixado por Elypse em dezembro 12, 2007 03:03 AMRenda, os teus versos fazem-me bem, têm aquela alegria e sensatez das canções dos hobits, canções de voltar a casa.
Beijinho
nd, nem sei o que responder, a sua leitura do poema é certeira; a avaliação deixa-me, como dizem os amigos brasileiros, muito "encabulada". Obrigada! :)
Afixado por soledade em dezembro 13, 2007 12:28 AMAh não mereço! Tá bem :-O
Pois é, a fidelidade às vezes é... hum... selectiva :)
Bj