Um título sugestivo para um poema que só na aparência é simples, como só aparentemente é simples viver o dia-a-dia "sem história". Gostei!
"a vinda de uma lua forasteira
que se molda à curva do meu sono"
Lindo Soledade. Do lado da noite nos dói o sossego parado na lua. Quase sempre.
Um bom 2008.
sabe, eu gosto dos dias sem história... noite passada, ao sair do prédio da minha namorada, enquanto caminhava até o carro, olhei ao redor, vi as ruas vazias, o silêncio, e tudo aquilo me pareceu tão familiar e anônimo. Foi bom, após o frenesi de final de ano, encontrar uma noite que pudesse ser tanto a do dia 20 de maio ou do dia 12 de agosto ou do dia 01 de outubro. Eu me senti de novo em casa, foi isso. Os dias sem histórias são uma casa para a qual sempre podemos voltar. feliz ano novo.
Afixado por Mississipi em janeiro 3, 2008 02:32 AMbonito início de ano. Um belo poema. Um bom Ano Novo.
Afixado por João Norte em janeiro 3, 2008 09:06 AMMagníficas palavras para começo de ano... que seja bom, que vivamos com saúde e retomemos a rotina... que estará tudo no lugar , e apreciar o dia a dia...
Beijos. Bom Ano.
Gostei muito da 2ªestrofe, mais do que da primeira.O final é muito bom:
«e a vinda de uma lua forasteira
que se molda à curva do meu sono.»
Já tinha saudades de te ler...
Olá Sol! Gostei do poema. Sabe-me a Pessanha, a Cesário ... essa ternura que o poema plasma.
Mas "dias sem história", quando o eu lírico saúda os "transeumtes" e "faz pontes de humanidade", só pode haver paradoxo. Mas dir-me-á que sem paradoxo não há poesia, porque a poesia é vida e toda a vida está cheia de paradoxo, oxímoro,antítese...
O paradoxo é uma tónica da sua poesia. Ou uma ironia a rir-se da algidez da vida. A poesia é o seu caminho e, à semelhança de Goethe, faz dela o seu caminho, a sua expressão: "der weg ich bin"(eu sou o caminho).
Um Bom Ano e um bom trabalho para o seu ilustrado blog.
Ismael
Afixado por Ismael Vigário em janeiro 3, 2008 07:28 PM
"habitualmente" é irónico ou é um assim devia ser?
vejo-me dentro do poema, saudoso da limpidez da luz sob o gume do frio da geada ou do cieiro.
Aqui há um lugar, um tempo, um ser.
Surpreendeu-me a lua "forasteira".
Feliz Ano Novo
Afixado por cxara em janeiro 3, 2008 10:55 PMBelo poema , Soledade, gostei muito . A sua poesia encanta-me.
E também gosto de sentir o ar frio das manhãs e do crepúsculo. Revigora-me e faz-me pensar em dias melhores, vá-se lá saber porquê?
very good blog, congratulations
regard from Catalonia Spain
thank you
Olá ! mais não pretendo que fazer minhas as palavras da Ana Gil. Está tudo dito ! É bom lê-la, pois encontramos explicitadas, na forma mais bela e pura o nosso sentir.
Bem-haja ! bjo.
Também gosto especialmente do título, L. Por razões várias :)
É verdade, Graça, mas às vezes tudo se ajusta e, mesmo no silêncio parado da noite, as coisas ocupam o seu lugar sem inquietação de maior. Ainda que alguma coisa nos esteja a magoar. Ainda que a própria lua nos diga da nossa condição de estrangeiros.
Um beijo
Daniel, eu sabia que você ia entrar no "viver habitualmente" como em casa sua :) Ambos gostamos dos dias anónimos e familiares. São como roupa usada e confortável. Adorei a sua breve descrição, gosto muito da sua prosa.
Feliz Ano Novo!
Um grande beijo
Obrigada, João. Um bom Ano, para ti também.
Afixado por soledade em janeiro 6, 2008 01:26 AMÉ bem verdade, renda, precisamos de uma rotina, de uma serenidade que nos foi roubada e substituída por um dia-a-dia em que tudo é aleatório, imprevisível e, quantas vezes, injusto e absurdo. Tens razão, as coisas precisam de encontrar e reocupar o seu lugar justo.
Um beijo, um bom ano.
O poema não encontrou ainda o equilíbrio definitivo, Amélia, vai levar alguma volta, já me conheces. Mas a 2ª estrofe não vive sem a 1ª.
Um beijo
Olá, Ismael, como está? Tinha perguntado por si ao António Antão, perguntado se andava bem. Esteve frio lá em cima, este ano, e mais a norte também.
Não sei se há paradoxo entre os "dias sem história" e as "pontes de humanidade". Procurar viver cada dia ao ritmo do tempo humano, em que, mesmo de um modo distraído, afirmamos, pelo simples facto de cruzar o olhar com os outros e dizer "bom dia", a nossa comum humanidade.
Provavelmente é mesmo paradoxal, neste tempo desumano...
Obrigada pelo seu comentário que me deu, como sempre, que pensar. Um bom ano! Um abraço
Não foi irónico, cxara. Podia ser "viver dia após dia", mas achei que o "habitualmente" associava o aspecto durativo à ideia de um quotidiano singelo e de gente comum.
"a limpidez da luz sob o gume do frio da geada ou do cieiro" - obrigada por ter escrito isto. É exactamente assim. Nada é mais nítido, brilhante e inaugural que as manhãs de sol e geada. E quem o experimentou não o esquece - há aqui um preciso lugar e um tempo, sim, que ambos reconhecemos. Quanto à lua "forasteira", adiantei alguma coisa da minha intenção na resposta à Graça. Mas... vamos deixar algum mistério, cxara? :)
Um abraço
Bom ano, António! Muita poesia!
Um abraço
Gostamos mesmos destas manhãs, Ana Maria e Fernanda :) Fazem-nos sentir parte da eterna renovação. E revigoram-nos, como bem diz a Ana.
Um beijo de Ano Novo às duas
Té la mà Maria-Reus, obrigada. Não escrevo catalão, mas entendo um pouco. Fui ao teu blogue, gostei muito do que vi, «relat's satirics-ludics per divertiment de grans i petis».
És sempre bem vindo. Saudações ibéricas :)
Um inverno vivo, de vida que só o olhar sabe, e a pele.
Gosto, vc sabe. Muito.
PS: como é que eu pude ficar tanto tempo sem vir aqui? :/
O tempo não está connosco, Silvia. E nós sempre nos falamos noutros sítios, não é? :)
Beijo