É bem assim que percebo essa hora, Sol. Não diria melhor que você, nesse poema.
Espero que o ano traga alegria e realização para você.
Beijo.
A solidão é o par da impaciência da cidade de onde foram apagados os autocarros verdes de dois andares, onde havia mais tempo para o olhar e os olhares trocados.A luz acende a solidão dos rios e das ruas; a escuridão haveria de acender o medo;
Afixado por cxara em janeiro 7, 2008 10:48 PMAo fim do dia há uma luz fatigada, tão propícia à solidão do olhar...
Um beijo Soledade. Gostei do poema.
A subtileza e a música melancólica da tua poesia ainda me surpreendem ao fim de tantos anos. Circundas o indizível, trazes Pessanha no coração.
Afixado por alex em janeiro 9, 2008 12:01 AMAí está, um belo poema que eu gostaria de ter escrito. Tem a minha meu pleno entendimento
(identificação? ; )
Beijos,
Belo! Gosto do especialmente do interseccionismo :-)
Bjs**
Um bom ano para si também :-)
Que se vê (lê), começa inspirado e inspirador!
Espero que tenha passado umas boas férias.
Bjinhos da 'piquena'
(gosto muito desse verso de H. Helder)
o poema, só aparentemente simples, é muito bonito e bem conseguido. é a solidão uma forma de dizer silêncio.
Afixado por maria m. em janeiro 10, 2008 09:33 AMPor momentos lembrei-me da "cidade amarela de icterícia" de C. Verde no princípio de "O Sentimento dum Ocidental". Fui ver e, não sei, se calhar não!
Vou estudar muito para pintar assim.
Um beijo
Faltava-me a palavra e o Zef acordou-a:
Pintar!
Beijinho
Este é, entre os poemas que escrevi, um dos que prefiro. Parece-me formalmente equilibrado, o que não direi da maioria dos que escrevo. E, sem brilhos e com um léxico reduzido, diz o que desejei que dissesse e vibra doce nos meus ouvidos. Não almejo muito mais. Se alguém me escuta, o ciclo perfaz-se: comoveram-me os vossos comentários. Obrigada a todos.
Adelaide, poeta e amiga de admirável delicadeza. cxara, a gentileza e a argúcia que prezo ainda mais por vir de um beirão como eu. Graça, a poeta, e também a mulher cuja sensibilidade adivinho de longe. Alex, amigo (e crítico do escrevo) há tantos anos. Silvia, querida amiga e poeta, das cumplicidades e das afinidades. Whyme, que conheci menina e vi crescer "em graça e formosura", e que me orgulha ser hoje minha amiga... e poeta. Rita, a "piquena" (alguém anda a falar demais, como é seu hábito, rs) que ainda não conheço, mas de quem já gosto e cuja força adivinho, a Rita que me disse "come chocolates, pequena, come chocolates", e às vezes precisamos que alguém no-lo diga. A maria m., sempre generosa na sua presença e nos seus comentários. O Zef, meu bom amigo de Pasárgada. A Anita, a amiga de quem quanto dissesse seria pouco.
Apeteceu-me reunir-vos a todos num forte abraço. Porque tudo é tão frágil e ameaçado, na vida como na poesia.
Afixado por soledade em janeiro 10, 2008 08:45 PMTodos os seus amigos já disseram tudo. Eu, a quem faltam as palavras, apenas lhe posso dizer que me comoveu profundamente! Num momento triste que estou a atravessar, senti,intensamente, o seu poema. Se já gostava do que escrevia, fiquei fã incondicional
Obrigada por saber dizer, de uma forma tão bela, o que alguem sente e não sabe traduzir. Um abraço
Andromeda, na estranheza destas distâncias que a rede ao mesmo tempo anula e cria, entre na roda e sinta-se parte dela. Oxalá a tristeza e o momento difícil que atravessa, e com que a vida é tão pródiga a brindar-nos, sejam ultrapassasdos.
Um beijinho para si e que tudo melhore depressa
Herberto Helder é sempre uma óptima motivação. Gosto especialmente de "Os Selos", poema que dialoga com o livro do Apocalipse. O inominado silêncio...quando o silêncio fala, o silêncio ilustrado...quando a tua palavra não é superior ao silêncio então não a pronuncies(provérbio indiano) Para a poetisa, o apelo ao silêncio instaurou o espaço da memória ("lembraça" de um "eu" que ainda retém a realidade de um outro tempo e com a qual a poetisa dialoga na configuração de uma metáfora tão nítida:"estreita melancolia". Só a distância temporal instaurou a memória poética, luz refulgente que a solidão recria, linha convergente que tece o texto desatado. ´Páginas íntimas de uma revisitação num agora de outrora. "Acendem luzes" nas ruas da cidade, até dentro de casa, mas dentro da poeta, abre-se o espaço da preferência: o reencontro com o eu de outrora e agora revivido, feito palavra poética. Parabéns pelo ritmo das suas palavras,pela enorme força que projectam. Beijos. Ismael
Afixado por Ismael Vigário em janeiro 13, 2008 07:48 PMIsmael, os seus comentários são sempre rica matéria para pensar e levar mais longe o alcance dos poemas ou do que aqui se vai dizendo. É desse silêncio iluminado e dessa solidão prenhe que o poema se faz [e a que pretende dar voz]. Muito obrigada por ler assim. Por tudo quanto diz.
Um beijo
Soledade
Gostaria de ter começado com outra palavra que me habituei a dizer quando tu eras pequena, mas já brilhante, ou não estivesse o sol no teu nome. Este ano é dedicado a Vieira que dizia que o sol estava só e não se deixava ver; a lua, pelo contrário está rodeada de strelas e deixa-se ver. Talvez seja assim a tua poesia.Li... li... e não coonsegui ver. Por isso voltarei sempre a ler...porque tem o brilho do sol.
Júlio Pinheiro
Professor, que grata surpresa a sua vinda aqui! Sentimento de que um círculo se completa. Muitos dos leitores do Nocturno foram meus alunos. Eles são o meu orgulho. Fico tão comovida por merecer agora o elogio da pessoa que me guiou nos caminhos da Literatura, da descoberta do mundo nas palavras dos poetas, da liberdade e da alegria de me exprimir! E que me fez antever o sentimento de realização do acto de ensinar - do meu professor de Português, cuja generosidade lembro tão bem!
Não sei se mereço o elogio que me faz. Se o mereço, tenho de o partilhar: espero que aceite a responsabilidade.
E chame-me, como sempre fez, pelo meu diminutivo de infância. Poucos, além da família, o fazem, hoje em dia. Poucos têm o direito de o fazer.
Aceite, por favor, um abraço comovido.
Minha querida amiga
Agradeço as tuas palavras e fico contente por saber que afinal a solidão de que tanto falas não existe verdadeiramente, pois os teus amigos são imensos. Para vós ser solitária é ser solidária. Palavras iguais na origem e na intenção. Afinal tens o mesmo encanto,a mesma emotividade, a mesma lucidez ( de luz) de sempre. A tua poesia faz-me pensar e interrogar (inter-esse), que são as duas grandes funções da poesia quando ela é autêntica como a tua.
Este fim de semana vou ler, saborear os teus poemas.Será que eles já estão em livro? É forçoso que sejam publicados para que possas ficar à beira da imortalidade.
Um grande abraço com a amizade de sempre.
Júlio Pinheiro
Professor, não tinha visto a sua resposta, esta entrada desapareceu da 1ª página do blogue, que agora estendi.
Fico orgulhosíssima com o seu juízo a meu respeito. Comovida com lembranças que afloram... E nem sei o que responder. Espero que a leitura do fim de semana tenha valido a pena :)
Fui publicada, sim, numa colectânea, "Quatro Poetas da Net", que lhe farei chegar. E em várias antologias. De algumas nem cheguei a saber, por estranho que pareça. Em tempos iniciei diligências para publicar. Depois perdi o élan. Há ainda a possibilidade, uma editora eventualmente interessasda. Mas não há um livro. Há poemas. E pouca vontade da minha parte. O mundo não está para poesia e outras manifestações sem utilidade. E o tempo necessário para trabalhar os poemas, para organizar um livro, foi-me de súbito roubado.
Mas esta conversa é melhor que continue em privado.
Um grande abraço