Esta entrada levou-me a ir reler o poema, e fi-lo na tradução do mesmo J. Tolentino Mendonça (Ed. Cotovia). Achei-o ainda mais ardente e belo do que aquele que tinha na memória:
"Quem é essa que desponta como a aurora bela como a lua
fulgurante como o sol terrível como as coisas insignes?"
O Nocturno está belíssimo.
Beijos
o primeiro espanto que esse livro me provocou foi pelo erotismo: "o teu umbigo é uma taça de vinho perfumado..."; se a tradução de uma narrativa já é uma outra, a da poesia pode ser uma desfiguração mutilada, ou então, pelo talento do tradutor, é uma nova; não sei em que parâmetro fica a tradução canónica que conheço.
felizes e inteligentes escolhas nos proporciona;
apetece o jardim do klee e recorda as máquiunas chilreantes, de que tanto gosto.
O Cântico dos Cânticos é um belíssimo poema de amor. Mas com esta introdução do grande poeta José Tolentino de Mendonça fica-se com vontade de ler e reler já que "As mãos ardem folheando este livro que pede para ser lido por dentro dos olhos, este livro humano e sagrado, este cântico anónimo que todos sentem seu" Fantástico.
Um beijo Soledade.
nd, além das versões "canónicas" insertas nas bíblias, tenho uma tradução da Fiama Pais Brandão que toma como base, entre outras, a versão sefardita editada em Ferrara por Salomão Usque. É uma tradução muito ao pé da letra, produzindo um texto por vezes alienígena. Por exemplo, os versículos que citou:
"Quem alta como aurora bela como a lua é
a que clareia
como o sol terrível como um exército com pendões
desfraldados?"
Parece-me que preciso de ler a versão do Tolentino :-)
Afixado por soledade em setembro 26, 2008 05:13 PMVai anoitecendo mais devagar, Fred :)
Um beijo
cxara, é como diz, traduzir poesia é sempre um risco, um campo minado de dilemas, mas também um fascínio. No caso do Cântico, percorre-se todo o tipo de escolhas, entre a tradução quase literal, até às versões poéticas, místicas, alegóricas... E o texto não se esgota nem se fecha!
A mim, o que primeiro me deslumbrou no Cântico foi também o erotismo. E a aproximação ao pouco que então conhecia das líricas primitivas. Com o passar dos anos, esse deslumbramento inicial não se empanou. É uma alegria sempre que volto ao texto. Há realmente amores sem fim :-)
Um bom fim-de-semana!
Graça, calculei que iria gostar :-) O livro é excelente e foi-me recomendado pelo amigo da Voz da Romãzeira. Reúne uma colecção de ensaios breves (com esta escrita poética que aqui pode constatar) organizados em seis capítulos. Este, de onde retirei os excertos, fez-me pensar, como na altura lhe contei, no seu livro, aquele em que recria o episódio de Marta e Maria.
Um beijo e um bom fim-de-semana
Passei, li, reli, e... guardei para reler ainda ( vou tentar encontrar o livro.. ).
É um prazer passar por este "nocturno" !
Cada vez mais sereno mesmo nos afrontamentos.
Um grande abraço.
Sempre que venho ao Nocturno me pergunto por que fico tanto tempo longe e perco tanta beleza guardada aqui. Vou tentar encontrar o livro de Tolentino cá na terra do Lula :)
Beijos, querida Sol.
Adelaide, não há tempo, está tudo em movimento absurdo e nós também, não sei é para onde nos dirigimos.
É sempre bem-vinda, minha amiga.