Muito boa, esta evocação da infância. É tão raro deixares neste blog nota das tuas memórias. Devias fazê-lo mais vezes.
Boas Festas!
Como me revejo nesta evocação! Na minha terra havia também o cepo de natal -pinheiro normalmente roubado ,às vezes oferecido, que ardia a noite inteira na praça central da aldeia e que agregava pobres( a maioria) e menos pobres. E que aquecia os corpos e as almas.
E dói um pouco esta evocação...«E eu era feliz?/ Não sei.- fui-o outrora agora».
A minha mais viva presença desse natal tão longínquo reside no modo como descobri que não havia «menino Jesus»(na altura não era ainda o Pai Natal...Mais tarde, bastante mais, era o gosto de minha avó que me pedia para cantar todas as canções de natal. E eu sabia muitas e cantava.
Agora não tenho para quem as cantar.E também já me não apetecem tanto.
Mas, se dói como perda, em todo o caso é bom que tenha guardado em mim tudo isso.
Bom e feliz natal para ti e para os amigos que te visitam .
Evocar a infância. Voltar a ser criança. E talvez o meu presépio vazio tenho o Menino outra vez... Adorei o seu texto Soledade e também gostei muito do poema da Teresa Rita Lopes.
Desejo que o seu Natal seja cheio de Amor e com muita Luz. Um beijo.
Algumas vezes tenho feito isso, L.
Boas festas! :)
O madeiro de Natal, sim, como se diz na minha terra. E eu recordo-me bem de que tu gostavas muito de cantar, Amélia. E de assobiar. Ainda não há muito tempo, cantavas frequentemente. Hoje canta-se menos. É pena. Na minha família também havia o hábito de cantarmos juntos, mas perdeu-se, embora haja muitas crianças e nos juntemos todos pela Consoada. Fazem-se outras coisas que de facto nos reúnem menos.
Mas é bom termos guardado as memórias, como dizes, é sim, ainda que a evocação do tempo passado e o sentimento de perda às vezes doam.
Para ti um Natal pacífico e caloroso, Amélia. E um beijinho
Retribuo os bons votos, Graça. E oxalá um Menino nasça nas palhinhas dos nossos presépios.
Um beijo de Boas Festas
O menino a tiritar no musgo, que linda essa memória!As minhas também são felizes memórias, remotas de um presépio com laguinhos feitos de espelho e um menino ao lado dos pais na mangedoura.Mas esse menino não tiritava porque é muito calor aqui nessa época.Nunca pensei nisso, nunca poderia imaginar que Jesus sentisse o clima da cultura.Bem, te desejo um feliz natal e um 2009 com muitas alegrias.
Afixado por Adriana em dezembro 22, 2008 04:55 PMQuando cresci o suficiente, comecei a ir ao musgo com a minha irmã. Um musgo alto e fofo como uma esponja, nos caminhos à borda dos pinhais suburbanos de onde se ouvia o mar. O presépio não era grande, mas tinha tudo, os pastores com cordeiros às costas, as ovelhas no musgo, o lago de espelho com patos de celulóide, cujo cheiro me encantava, a ponte que todos os presépios pareciam ter, lembro-me de uma lavadeira com a roupa à cabeça, gente de barro como nós, de barro pintado como nós, e os Reis Magos que nunca chegavam à cabana onde estava o Menino Jesus, Maria, José, a vaca e o burro, e uma lamparina de azeite com uma chama tão confortável como se fosse - e era - um bom estado de alma. Nunca houve árvore de Natal em casa de meus pais. Hoje as árvores de Natal, que tinham sido pinheiros bravos, são abetos de plástico e nalgumas casas a nórdica árvore em vaso, e os presépios devem ser poucos e pouco salientes, e não é o Menino Jesus que traz as prendas, é já o Pai Natal, que deve ser quem as crianças conhecem. Não é que se vivesse melhor nesse tempo, materialmente falando, e talvez a alegria fosse semelhante à de hoje. Havia era uma coesão humana que hoje não existe.
Um bom Natal.
Afixado por babel em dezembro 22, 2008 05:19 PMSoledade, gostei muito de ler os dois textos ! Entre os dois, as memórias da minha infância se reconhecem, em casa dos meus Avós maternos ( não conheci os outros, mortos antes de eu nascer...).
O presépio, muito parecido com estes evocados - musgo, pontes, lavadeiras, pastores, rios, lagos de espelho com patos de celulóide de bom cheiro - foi crescendo todos os anos com a ternura das economias da minha Mãe! E, juntamente com as memórias guardo as figuras de barro, tão belas ou mais ainda que as humanas que, nos Natais em que tenho cá toda a minha família ( sobretudo os meus 8 netos )desembrulho com o mesmo encantamento de outrora adoçado pela ternura e saudade por todos que também os tiveram nas mãos,mas já cá não estão !
Bom Natal para si e todos os amigos que aqui encontramos !
Beijos.
Adriana, o imaginário europeu está cheio de Natais brancos de neve, mas, se há substância histórica na lenda, Jesus nasceu de facto numa terra quente, como a sua :)
Um bom Natal, um bom Ano!
Tem razão, babel, mas havia outra coisa, no que nos diz respeito: éramos nós as crianças. Faz toda a diferença, não faz?
Boas Festas!
Também me lembro de algumas coisas.
Os meus pais estavam sempre bem dispostos na noite de Natal.
Depois das batatas com bacalhau, fazíamos um jogo com pinhões e uma espécie de piasca que se chamava rapa tira deixa põe.
Íamos cedo para a cama porque, logo de manhã e ao primeiro barulho na cozinha, corríamos para ver as prendas do Menino Jesus, nos sapatos arrumados a um canto da lareira. E a festa era só de nós os sete (verdade: três rapazes e quatro moças). Soube mais tarde que os pais se riam dos nossos olhos arregalados.
Um ano, o Menino deu-me um pífaro de barro com listas azuis. Não tocava grande coisa e, no dia de Reis, caiu-me do bolso e partiu-se.
Mas a prenda de que gostei mais foi a de três berlindes: eram às cores e arranjei uma maneira especial de brincar com eles.
Gostei muito dos berlindes e do Menino Jesus também.
: -)
Beijinhos
Fernanda, com os seus netos, as boas memórias e as imagens que conserva do antigo presépio, há-de ser um bom Natal.
Um beijinho, Boas Festas
Zef, adorei as suas memórias. Jogar com pinhões, quebrar o lindo pífaro de barro logo no dia de Reis. Pois, acontece a boa gente. Devia ser um traste jeitoso :) E a festa dos sete... Nós éramos cinco, um senhor clã, também.
Boas Festas a todos aí em cima. E que nos vejamos em Pasárgada.
Um beijinho
o meu natal espelha-se no que foi dito:o musgo, o presépio, a neve (provavelmente mais imaginária que real)o menino jesus que descia duas vezes: na casa dos meus pais e na da minha avó, o meu pai ausente, emigrante em frança, a fogueira de tocos enormes (como nós dizemos), o cheiro das filhoses a fritar, a precoce descrença no menino e o fingimento que lhe estava associado para não perder as prendas. reocrdo sobretudo um indefinido sortilégio.
um natal com muita alegria e esperança; que a ternura do menino nos envolva.
um abraço caloroso
É mesmo isso... o texto é isso mesmo! Obrigado por me visitar e ter escolhido um postal. Bom Natal.
Afixado por Jorge Rego em dezembro 23, 2008 01:41 AMTão bonita a tua evocação do Natal, Soledade e a do Zef... e a poesia crírica da Teresa Rita. Agora uns tantos de nós ainda se agarram aos rituais, especialmente ao da família unida... mas tudo mudou, muitos preferem partir precisamente na altura do Natal e fazer férias só com amigos...como se fossem férias de verão, um dia , hão-de querer ter uma família e ficarão talvez sós... mas isto sou eu a filosofar, se calhar não lhes acontece nada e serão felizes como nós com um natal ( chamar-se-á ainda natal???) diferente ...
Bom Natal e Muito Bom Ano 2009, com ânimo e mais paz... Beijos.
Soledade, um feliz Natal e um bom Ano Novo!
Um beijinho.
Espero que tenha tido um óptimo Natal, Soledade. Um beijinho, com a admiração e as saudades do costume
Afixado por whyme em dezembro 26, 2008 12:10 AMPois é Soledade. Que tenha sido um bom Natal e que seja um Ano Novo de esperança para todos.
Quando eramos crianças, pelo menos eu que já sou muito velho, o Natal tera o Presépio de musgo com o Menino, a ceia da canja e o galo no forno (isto eram já para quem tinha posses) e as broas feitas pela avó e a missa do galo com o beijo ao Menino. Um pouco depois, veio a reunião dos familiares, a troca de pequenas prendas no sapatinho ( coisas úteis) e o Natal passou a ser (bem) a festa familiar. Hoje o Natal é a festa dos shopings, do consumismo desenfreado e fútil, mesmo que se recorra ao empréstimo.
Podemos até não ser religiosos, bastas-nos ser atentos para percebermos como os valores principais do Natal se vão perdendo,mesmo que tente contrariar, dizer às crianças que o Natal é da família, que os presentes devem ser para as necessidades, que o amor da família é que é importante, o que elas vão comparar são os mp3, os telemóveis, as consolas, as bárbis sofisticadas que os amigos receberam.
Enfim, são as vítimas do consumismo.
Um bom ano!
Afixado por Joao Norte em dezembro 27, 2008 03:09 PMExecelente descoberta neste princípio de ano. Logo a abrir, Salvatore Quasimodo.Depois, uma mistura de inteligência e bom gosto.
Felicíssimo 2009
adorei ler estas evocações!
um bom ano para si, soledade!
Afixado por maria m. em janeiro 2, 2009 09:58 AMJá estamos em 2009...a 12 de janeiro.Quando nos trazes mais coisas?
Beijos
cxara, Jorge, renda, Luísa, whyme, João Norte, henrique, Maria M., com grande atraso, mas calorosamente, agradeço a vossa participação, a vossa vinda, os vossos votos. Que o natal vos tenha iluminado, que o ano vos tenha encontrado esperançosos.
Um abraço amigo a todos
Amélia, o tempo e a vida e... não está fácil. Voltaremos devagarinho, amiga.
Um beijo