Pois. O contexto está relacionado com o objectivo que se pretende atingir. É isso que interessa.
Os jogos são o meio mais eficaz para aprender. É assim para as crianças. Porque não para todos nós?
Parece-me que, dentro do contexto, TUDO significa SOBRE TUDO!...?, ou seja, muito mais do que as "gordinhas".
Podiam explicar a diferença entre EXAME e TESTE dentro do contexto? É que eu também não percebi, juro! Vá, prestem lá este servicinho público e ajudem a diminuír a ignorância!
Do essencial, pode-se sempre extrair o acessório e, jogando, construir belas falácias. As palavras descontextualizadas - com ou sem recurso a dicionários - permitem jogos ad infinitum.
Fico feliz, e com uma pontinha de inveja, por saber que há quem tenha a possibilidade de, no século XXI, ter tempo para ler TUDO. Nem o prof. Marcelo! Felicitações. Redobradas se também houver tempo para reflectir sobre TUDO.
Muito bem lembrado Paulo Abrantes. Imprescindível a leitura, não só do artigo sugerido pela Cecília, mas de todos os outros também.
Importante é também a afirmação de Hans Freudenthal mencionada nesse editorial: "O exame torna-se um objectivo, o que vem para exame um programa, o ensino da matéria para o exame um método". Pois isto é que não pode acontecer, mas infelizmente acontece. Exames assim não servem os interesses dos alunos. Penso no entanto que retirá-los do sistema de ensino,não só não resolve os problemas, como pode trazer outros.
Talvez fosse diferente se escolas e professores não fossem avaliados precisamente pelos resultados dos seus alunos nos exames.
Depois de ler este último comentário resolvi pegar no dicionário. Observei o seguinte:
"Exame"- Prova a que alguém é submetido para averiguações de determinados conhecimentos ou aptidões.
"Teste"- Prova escrita.
Bem, há algo em comum, é uma prova. Fui ver.
"Prova"- Exame.
...E pensei neste resultado interessante:
exame = prova = teste = exame!
Será que A. foi ver ao dicionário? Será que tem um dicionário diferente do meu?, ou será que tirou conclusões da leitura de uma das primeiras páginas dos nossos media? É que, para falar delas deve tê-las lido! Eu não sei porque não costumo lê-las.
Em relação ao Fernando, acho que posso afirmar quase com toda a certeza, que de facto as lê, mas não só as primeiras páginas. Lê as segundas, as terceiras, as outras todas...e muitas outras coisas que, por acaso, não fazem parte dos nossos media. É que ele lê TUDO!
É claro que todos aqueles que tomam decisões são responsáveis pelas suas consequências, ou não é assim?
É também interessante verificar como facilmente fazemos juízos uns dos outros. É que A. também ajuizou e curiosamente não ajudou a construír nada com o comentário, ao contrário de outros!
Se acharem que estou a ajuizar, acertaram. É que é mesmo fácil.
Que superficialidade! Que ligeireza! Que cidadão! Do mundo?! Não! Português! Daqueles portugueses formados nas leituras das primeiras páginas dos nossos media. Passa de exames para testes, como se estivesse a discorrer sobre a mesma temática. Do dedo em riste para UMA pessoa, responsabilizando-a, conclui, passado dias, que aquele foi "o primeiro nome [que lhe] veio à cabeça». Isto é sério? É honesto? Construtivo? Que os deuses nos valham! SALVA-SE A POESIA. O que já é meritório. Não para o assunto em causa, mas para dar consolo às almas.
Afixado por A. em novembro 30, 2003 09:30 PMFernando,
Achei, apesar de tudo o que escreveu sobre ensino e, sobretudo, pelos interesses que revela noutros posts e pela área política em que parece situar-se, que era meu dever dizer-lhe mais qualquer coisa.
Assim, sugiro-lhe que consulte o site que lhe vou indicar, leia o editorial do saudoso Paulo Abrantes ' Diz-me como avalias, dir-te-ei como ensinas...'. O endereço é o seguinte:
http://www.apm.pt/apm/revista/pabrantes/pabrantes.htm
Não incomoda nada, Cecília. No primeiro comentário em que referi a Ana Benavente, só o fiz porque foi o primeiro nome de um responsável pela área do ensino que me veio à cabeça. Provavelmente, porque foi Secretária de Estado numa altura em que eu e alguns amigos tivemos grandes discussões sobre o Ensino. O segundo comentário veio na sequência do primeiro.
Reconheço, no entanto, que quando ela teve funções governativas, já isto estava tudo virado do avesso.
Para desanuviar um pouco esta discussão, proponho-lhe que veja este post que coloquei há cerca de dois meses. Não ofende, tem piada e acho que espelha a triste realidade. Provavelmente até já o terá lido algures. Circula pela net há já alguns meses.
Se ainda tiver tempo, pode ver também este.
É sempre bem-vinda.
Caro Fernando,
Lamento voltar a incomodá-lo sobre esta questão, afinal no seu blog só se referiu a este assunto por mero acaso. Mas já que iniciou então vamos esclarecer as coisas. Assim, gostava que me explicasse em que é que se baseia para quase diabolisar a Ana Benavente?
Atentamente
Cecília
Caras Elisabete e Cecília, faço minhas as palavras da Fernanda (que por acaso é minha irmã, e também professora).
Também já fui estudante, e sei perfeitamente que um teste pode correr mal. Mas é impossível que isso aconteça em todos os testes. Portanto, façam muitos. Os testes também servem para defender o professor na avaliação que faz, e são, para ele, essenciais na classificação dos alunos.
Os testes não substituem, obviamente, os trabalhos individuais, de grupo, as discussões, etc., mas complementam-nos.
Actualmente, o que interessa é que os alunos passem de qualquer maneira, para dar uma ideia (falsa) de bom aproveitamento escolar. E se não é, parece.
O facto de Brossard se ter dedicado anos ao ensino (não à educação, essa devia começar em casa), não faz dele o único especialista na matéria. Outros haverá que têm opiniõs contrárias (como em tudo na vida). Não tenho mais ou menos consideração por esse senhor, que a que tenho por qualquer outra pessoa que não conheça, nem vejo onde é que lhe faltei ao respeito. Quanto a Ana Benavente, é uma das responsáveis (mas não a única) por isto ter chegado onde chegou. Ajudou a transformar a Escola num laboratório de experiências com cobaias humanas, cujo o resultado foi, repito, termos já uma geração de professores analfabetos em Portugal. E quando digo analfabetos, quero dizer isso mesmo.
E não vai ser nada fácil reverter essa situação.
Pois é. Parece que este é um dos temas mais sensíveis do nosso sistema educativo. Na verdade, mesmo com muitos exames, testes, pontos, etc. o problema pode continuar a existir.
Vou dar um exemplo que considero absurdo mas que penso poder mostrar a complexidade de tudo isto.
Numa aula o professor ensina a fazer frases na negativa e exemplifica: "O João comeu a sopa". Na negativa fica "O João não comeu a sopa". Num teste aparece a frase "Depois de ler, a Maria compreendeu a matéria toda". Para colocá-la na negativa o aluno escreve "Depois de não ler, a Maria compreendeu a matéria toda".
O que é que devemos concluír?
a) O aluno sabe fazer a negativa.
b) O aluno sabe fazer a negativa mas não sabe em que palavra.
c) O aluno não sabe fazer a negativa.
d) O aluno decorou que a palavra "não" se colocava antes da terceira palavra da frase.
Certamente se não estivesse lá a parte "Depois de ler", a resposta não teria deixado dúvidas.
Mas podemos pensar mais. Será que o professor explicou bem esta matéria? Será que o aluno não sabe aplicar o que aprende em novas situações? Será que a questão está bem colocada no teste? Será que, se não fosse através de um teste, o professor conseguia avaliar esta matéria, numa turma de mais de 25 alunos?
Agora imaginemos que o professor considerou a resposta errada e o encarregado de educação pediu recurso, alegando que a questão foi mal colocada porque nas aulas os exemplos dados foram feitos com "João" e não com "Maria"!...
Conseguem compreender a complexidade disto tudo?
Assim como podemos considerar os testes perfeitamente inúteis, também podemos considerá-los essenciais, por serem dos poucos elementos concretos que os professores têm para justificar as notas que dão. Sobretudo os escritos. Sim, porque o sistema chegou ao ponto de permitir que todos se metam nesta competência que é dos professores, não construtivamente, mas para conseguir que os seus educandos passem a qualquer custo e tenham melhores notas que os outros.
De facto não é um teste de uma hora que ajuda a avaliar, mas mais e diferentes testes sim. Aliás, não há professor que os não tenha em consideração, e muita, para fazer a avaliação dos alunos. Também é sabido que quase todos os alunos estudam somente quando têm testes.
O que não concordo é com o peso excessivo dado aos exames ou testes. Muito menos se forem eliminatórios. Mas parecem-me essenciais, se feitos de outra forma e com outros objectivos.
Fique-se, no entanto certo de que, este nunca foi, não é e nunca será um assunto sobre o qual se tenham certezas.
Fernando,
Não tinha gostado do conteúdo do seu post, mas ainda gostei menos deste seu último comentário. Desde quando a avaliação se faz com exames? Com exames faz-se classificação, seriação, não será?
Não sei qual é a sua profissão, presumo que não seja professor, é que nesse caso não falava assim ou, então, ainda não tinha percebido qual era a sua função na escola, o que era grave. Mas, dizia eu, a propósito da sua profissão, imagine-se a ser avaliado por exame. Como ficaria? Acha que um exame escrito de uma hora pode reflectir a qualidade do seu trabalho, o seu empenho e as suas próprias qualidades e capacidades?
Há uma outra coisa de que também não gostei. Foi da maneira como se pronunciou, já nem me refiro à Ana Benavente, mas a Brossard. Quem é você para se referir assim a ele? Quanto tempo se dedicou à causa da educação para comentar de ânimo leve quem dedicou uma vida a isso? A humildade nalguns casos faz muita falta.
Cecília
Cara Elisabete,
Sem exames também se podem colocar notas nas pautas. É, aliás, o que acontece hoje em dia.
De facto, os exames não ajudam os alunos a aprender, nem é essa a sua função. Esta cabe aos professores.
Independentemente de se chamarem exames, testes, pontos, o que quiserem, o que eu digo é que os alunos têm que ser avaliados. Não é admissível que sejam passados à papo-seco, sem se submeterem a qualquer tipo de avaliação de conhecimentos.
Tenho para mim que muitos dos problemas do ensino, se devem ao facto de as Anas Benaventes deste país terem lido muitos Brossards.
E já que esse senhor pensa assim, o que é que ele propõe como alternativa?
Afixado por Fernando em novembro 23, 2003 09:25 AM«[..] os exames não têm como finalidade demonstrarem em que ponto está o aluno para ajudá-lo a avançar nas suas aprendizagens, mas tão-somente servem para colocar uma nota na pauta. Eles servem fins admnistrativos mais do que fins educacionais [...] exames não ajudam os alunos a aprender efectivamente [...]; os exames [...] incitam muito mais a dar a resposta esperada do que a procurar, a explorar, a ir mais longe, a estabelecer relações, a integrar, em suma, a aprender.» Brossard, 1994
Afixado por Elisabete Miguel em novembro 23, 2003 09:21 AMConcordo plenamente com exames, porém não se fique de consciência tranquila ao fazer o seu apelo. Eles não são remédio milagroso para todas as maleitas. Observe bem, por dentro, no dia-a-dia, uma escola - não daquelas para Europa ver -e verificará que não é só o exame que faz falta.
Afixado por maria em novembro 19, 2003 06:30 PMBoa malha! Óptima malha! Na próxima actualização este blogue vai direitinho para a minha lista de favoritos. Agora, cuidado, com este discurso se o nosso inestimável "descrédito" lê isto, você vai direitinho para a coluna da extrema-direita.
Afixado por O Velho da Montanha em novembro 19, 2003 03:46 PMConcordo com mais exames, mas que não se limitem às tradicionais provas escritas. As verdadeiras competências não se avaliam com o simples "despejar" de informação memorizada que se esquece imediatamente após a realização de uma prova.
Não significa que considere sempre insuficiente a componente escrita mas, na maior parte das vezes, é.
Sem necessidade de compreensão, intuição, reflexão e sensibilidade, os exames não passarão, unica e exclusivamente, de barreiras, cujo objectivo é, somente, serem transpostos com o máximo de sucesso, mesmo que implique copiar ou ter sorte.
Talvez também se os jovens fizessem as suas opções de futuro em função do que realmente gostam e para o qual têm aptidões e não, movidas por influências externas como dinheiro, estatuto social e expectativas familiares, pudessem então sentir mais motivação para investir na sua formação.
Quem sabe se aí essas exigências todas até pudessem ser satisfeitas.
O eterno SE...
Afixado por Fernanda em novembro 19, 2003 03:31 PMPois. Também concordo contigo neste. Só que (infelizmente) acredito que será mais fácil um elefante voar - por meios próprios, que veres as tuas exigências satisfeitas. Principalmente a última delas. Um abraço.
Afixado por João em novembro 19, 2003 10:30 AM