só mesmo a Sociologia para poder fazer uma análise do campo dos weblogs
Afixado por Ana em novembro 25, 2003 05:36 AMÉ dito: «Não quero concluir este pequeno texto sem produzir uma nota adicional. Começa a intrigar-me uma questão que julgo ser necessário começarmos a reflectir. Quais os impactes da constituição destes "online selves" sobre os nossos "offline selves"? A interrogação pode parecer prematura e, talvez, um pouco despropositada. Mas não me parece que o seja.» A questão é boa e a intuição também. Por isso, só há que aguardar o tratamento que lhe poderá ser dado.
abraço fm
Caro João Nogueira: descontando a ficção científica [ diversos autores prenunciaram a existência de avatares, nem todos digitais mas em diversos casos "réplicas" capazes de nos representarem em "lugares" onde não estávamos fisicamente -- e páro já aqui ou ainda vamos parar a um conceito imediatamente a jusante do online self, que é o da ubiquidade ;) ] há literatura de investigação não direi abundante mas direi preciosa sobre os online selves. Embora neles pareçam estar a ganhar o estatuto, hum... de adolescência, estes não nasceram nos blogues. Nasceram com o e-mail -- primeira representação pessoal digital em tempo diferido. Mas não precisarás ir tão longe: tenta entrevistar os primeiros utilizadores dos newsgroups, nomeadamente do soc.culture.portuguese (penso que pelo "Santo" Google chegarás ao arquivo histórico dessa primeira comunidade digital portuguesa digna de nota), para melhor investigares sobre o impacto do online self sobre o offline self.
Absolutamente premonitório e fundamental é o livro de Sherry Turkle «O segundo eu» (Ed. Presença, 1989) («The Second Self», para quem quiser googlar/amazonar), com o subtítulo "Os computadores e o espírito humano". Turkle, investigadora do MIT que acamaradou com os primeiros pensadores e executores da Era Digital, de Marvin Minsky e Seymour Papert aos fundadores da Wired, lança as bases para toda a investigação sociológica em torno da nossa relação com os computadores e demais aparelhos com processador e código tarefeiro, de consolas a telemóveis.
Partindo da observação de crianças (aprendizagem das novas tools por mentes "rasas") e sobretudo de hackers (relação íntima com a tecnologia) e adolescentes game-players (duplas personalidades), Sherry Turkle foge do facilitismo parangónico que o recurso aos chavões da fc sobre o tema lhe dariam e aprofunda teimosamente as novas culturas do computador.
Fica o meu humilde contributo, com um abraço.
Afixado por Paulo em novembro 25, 2003 03:14 PMAna, estou intrigado. O teu comentário ficou dilacerado ou foste vítima de um assomo de "corporativismo"? :) Então foste divulgar assim, sem mais nem menos, o nosso mefistofélico e laborioso plano para a "subjugação" das restantes ciências sociais? :)
Afixado por Socio[B]logue em novembro 25, 2003 03:16 PMops: não consegui sacar esse pdf. Ou tens o link falhado ou -- mais provavelmente -- já lá não está (caso em que to pedia amavelmente, se o tiveres à mão).
Caro Fernando,
Obrigado pelo seu comentário. Resta-me esperar que as gentes da filosofia, mais versadas nas artes da intuição e da abdução, nos possam ajudar a explorar estas interrogações...
Ops... "lança as bases para toda a investigação sociológica". Quem escreveu isto (eu) não passa de um candidato a ajudante de estudante primeiro-anista de sociologia... Talvez não tenha sido ela a lançar as bases, talvez nem seja para toda a investigação neste campo. Sorry, João, foi do entusiasmo.
Afixado por Paulo em novembro 25, 2003 03:28 PMObrigado pelo inestimável contributo, Paulo. Assim que arranjar algum tempo vou tentar explorar as pistas que deixaste. Não conhecia, até há bem recentemente, Sherry Turkle. E, até agora, não li nada da sua autoria. A primeira vez que ouvi falar dela foi, curiosamente, na conversa pós encontro informal de blogues na sgl. O Rui (Grilo), do Sapo (e do "5 Minutos"), falou-me um pouco do livro "A Vida no Ecrã". Mas, desde então, ainda não tive tempo para me lançar por novas linhas de leitura. Mas prometo fazê-lo em breve. Aparentemente, pistas não me faltam...
Afixado por Socio[B]logue em novembro 25, 2003 03:36 PMMea culpa. O link indicado no texto tinha, na verdade, uma incorrecção. Daí o facto de não ser possível visualizar o ficheiro pdf. Porém, o problema já foi corrigido e já é possível visualizar (ou guardar) o ficheiro. Fica a correcção e o pedido de desculpas pelo inconveniente.
Afixado por Socio[B]logue em novembro 25, 2003 03:48 PMUm comentário "en passant" com todos as qualidades e defeitos próprios.
Uma distinção cuidadosa do blog ferramenta do blog produto parece-me importante e facilitar - ou pelo menos não complicar - certas análises.
Assim, "O que torna os blogues apelativos..." para quem os usa... como ferramenta de edição... como local de leitura... como local de interacção... porque o blog não é só usado pelo blogueiro e...
Uma outra pergunta, talvez? O que torna os blogs viavéis?
"Os blogues são, quase sempre, espaços de mediação entre aquilo que fazemos e aquilo que gostaríamos de fazer e, portanto, entre aquilo que somos e aquilo que gostaríamos de ser." Que sejam, mas o que os torna diferentes de outros espaços em que o mesmo acontece? Porque dificilmente se poderia dizer que são espaços únicos para esse fim, e não sei se arriscaria a dizer privilegiados!
Narrativas do eu? Não queres dar exemplos e características dessas narrativas, e mais uma vez a sua especificidade?
Gostei de ler e gostei de comentar.
Um abraço!
Bem notado Luis. Segue resposta, em regime de "speedwriting":
Eu, quando escrevi (e re-escrevi) este texto pensava mais no blogue-como-produto e não no blogue-como-ferramenta. Isto, claro, se compreendi correctamente o comentário. Mas, de facto, quando se fala na "motivação" talvez seja útil distinguir as duas coisas... porém, nunca havia considerado muito esse assunto.
"Narrativas do eu" são todos os discursos onde o eu é verbalizado e tematizado. Por exemplo, quando no Ene Coisas aparece escrito "Fiquei a pensar o quanto gosto dessas histórias simples e luminosas, cheias de humor e de sabedoria. E veio-me à ideia quanto gostaria de escrever assim, quanto gostaria que a minha escrita fosse tão transparente como a dessas histórias que revelam a verdade por detrás das palavras." (23 Nov 2003).
Na verdade, este tipo de discursos é muito frequente nos blogues. Dentro, claro, de determinado tipo de blogues (aqueles que enunciei no texto). E não encontramos este discurso, por exemplo, em outras formas de CMC - como o ICQ, MSNim, AOLim, MOO, MUD, etc. As características de boa parte dos blogues (ex: espaço personalizado, edição pessoal, existência de arquivos, tipo de visualização do texto, etc.) fazem com que estes favoreçam a presença de determinado tipo de discurso algures entre o "diário pessoal", a "coluna de jornal" e a "página pessoal" (mais um vez, faço notar que falo apenas de alguns blogues mas apenas daqueles onde surgem as "narrativas do eu").
Posso exemplificar. Será que num internet messenger (aim ou msn messenger) escreves habitualmente frases como aquela que aqui apresentei anteriormente? Com, por exemplo, a pontuação cuidadosamente colocada e o estilo literário ou para-literário que aqui encontramos?
E os exemplos são, parece-me, deveras numerosos. E podíamos estabelecer o mesmo tipo de diferenças face a outras formas de CMC. O e-mail é, neste caso, uma excepção e merece um tratamento aparte... Mas isso são contas de outro rosário...
Afixado por Socio[B]logue em novembro 25, 2003 05:47 PMHUMMMM boa resposta, mas embora no msn use mais smiles não deixo de construir um eu, de ser um eu, pois o discurso é sempre revelador de um eu. Fica bem, pensa mais e bloga sempre. :-)
Afixado por luis em novembro 25, 2003 10:02 PMEmbora não seja uma visão sustentada pela ciência, aqui deixo um pequeno contributo que, eventualmente, poderá ter alguma pertinência na vossa dicussão.
Pessoalmente, gosto (e faço-o) de editar posts directamente no blogger, posts que publico sem rever. Às vezes seguem com gralhas mas prefiro assim, quase sem pensar, torrentes de palavras, ou (como aliás refiro num dos últimos) não teria coragem, chamemos-lhe assim, para os publicar. Mais tarde, por vezes, corrigo os erros mas não toco no sentido. Creio que são os que mais "me revelam".
O chat (IRC, MSN e similares) assemelha-se a uma conversa de rua, com "diálogos" curtos e abreviados. O e-mail pode ser uma versão actual das cartas longas que se escreviam (ainda se escreverão ?) já que se presta a uma escrita mais cuidada e com tempo.
Um weblog é uma mistura disto tudo, e na medida em que pode também servir para nos representar "virtualmente", é mais uma rasto de identidade que deixamos atrás de nós.
Afixado por Mário em dezembro 2, 2003 06:26 PMApenos quero dizer que fim um post sobre o mesmo assunto e por muita pena minha não chegou aos calcanhares deste.
Embora menos fundamentado o conteudo era basicamente o mesmo, a teoria do pessoa virtual é exactamente o que eu acho tambem acaba por ser um mundo nosso partilhado com o mundo... não faz sentido mas é mesmo assim.
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Afixado por Kevin em maio 14, 2004 12:37 AMUm novo blog de Sociologia: http://sociologos.blogspot.com
Afixado por Ana [Lua] em maio 21, 2004 01:02 PM