Comentários: Debate. Damásio e "O Erro de Damásio?". Entra a linguagem.

Um comentário:

Parece-me que a professora, de duas uma: ou explana mal as ideias e se confunde no seu próprio discurso, ou quer enfiar há força linguistica e semiótica no tema não se percebendo bem com que intuito. Neste tipo de debate só é razoável a intersecção de algumas considerações sobre linguagem na àrea restrita da psicolinguistica. Não convém perder de fito que o livro se suporta num discurso neurobiológico, monista, materialista por vocação, e onde de Espinoza é referente apenas na sua metafísica inovadora. Outras considerações são ruido.

Afixado por António Fonseca em novembro 25, 2003 02:00 PM

Caro António Fonseca:
1. Os comentários são sempre benvindos - mas, como Editor deste blogue, agradeço que argumentemos sem sair de uma certa deferência para com os pontos de vista dos outros. Não vejo nenhuma justificação para alguém tentar aqui limitar o campo dos argumentos que podem ser usados. Chamar "ruído" ao facto de outros trazerem outras abordagens ao debate, não é um argumento, não esclarece nada. E disso não gostamos aqui. A nossa estratégia aqui não é tratar mal os outros para obter atenção.
2. Lá porque o livro do Damásio se coloca num "discurso neurobiológico, monista, materialista por vocação", como diz, isso não quer dizer que essa opção não seja discutível. Damásio não fala só do que se passa dentro do cérebro, pois não? E avança explicações para coisas que vão muito além da neurobiologia. Portanto, porque há-de agora vir alguém dizer-nos que não podemos falar de coisas que estão claramente relacionadas com as altas pretensões explicativas de Damásio?
3. Eu também sou partidário de uma estratégia de investigação materialista. Mas o materialismo não tem de ser simplista. Nem a opção materialista explica tudo. Isso não pode servir como chavão para tentar calar os outros. Há alguma coisa de "espiritualista" em tentar perceber como funciona a linguagem?
4. Continue sempre a intervir. Mas, se faz favor, cordatamente. Eu procuro dar o exemplo, publicando críticas ao que escrevo. Penso que tenho o direito de pedir o mesmo aos que querem vir a este espaço.
Cumprimentos.
O Editor

Afixado por Porfírio Silva em novembro 25, 2003 02:54 PM

Caro Porfirio,

Como Editor é seu critério editar o que quiser, inclusivé especulações sobre a natureza ontológica da matéria ou da célula cérebral. Lembro-lhe apenas que as noções de 'âmbito', 'bom-senso' e 'Ao Encontro de Espinoza' são limitadas no tempo e no espaço.

Cumprimentos

Afixado por António Fonseca em novembro 25, 2003 04:34 PM

Caro António Fonseca:
Só umas perguntas, a ver se recentramos o debate no conteúdo e deixamos os "protocolos":
Em seu entender, os humanos terem ou não terem linguagem: tem algo ou não tem nada a ver com a forma como o cérebro é e funciona?
Há algo que o nosso cérebro tem de ter/ser para nós termos linguagem - ou não?
Termos ou não termos linguagem, e dar-mos-lhe uso, tem alguma influência no cérebro que temos e na forma como ele funciona, ou não?

Talvez assim possamos COMEÇAR a analisar se a questão da linguagem interessa ou não para este debate. Digo eu.

Cumprimentos.
O Editor

Afixado por Porfírio Silva em novembro 25, 2003 05:04 PM

Caro Porfirio,

Respondendo clara e sucintamente:

1. claro que tem.
2. podemos óbviamente discutir sobre qualquer objecto de estudo como tendo ele a sua própria linguagem.
3. não podemos óbviamente discutir sobre um qualquer objecto de estudo como sendo dele toda e qualquer linguagem possível.

Acho que fui claro.

Cumprimentos

Afixado por António Fonseca em novembro 25, 2003 06:32 PM

Pode-se tentar atirar para fora deste debate a questão da linguagem. Pode-se tentar limitar a importância que a linguagem, em toda a sua latitude, tem para estas questões. O que não se pode é fazer isso invocando o "santo nome de Damásio". Quem o tentar fazer, melhor é começar por ler o livro anterior de Damásio (O Sentimento de Si) e ver como aí é claro que a linguagem é necessária à compreensão da consciência alargada, que é especificamente humana e que faz parte da mente humana. E nada disso é misticismo: ainda é neurobiologia, ainda está dentro de uma estratégia de investigação materialista. O problema que alguns identificam é que em Ao Encontro de Espinosa esse elemento foi esquecido, quando devia ter sido aprofundado.
Portanto, por favor, se alguém julga ter a missão de defender uma qualquer ortodoxia damasiana, pelo menos que se lembre do que Damásio escreveu. Para debater Damásio, isso não nos ficará mal.

Porfírio Silva

Afixado por Porfírio Silva em novembro 26, 2003 09:00 AM