Extraordinário. Há quem pense que saber falar e escrever a própria língua, é tarefa exclusiva de eruditos e iluminados.
Afixado por Fernando em dezembro 14, 2003 04:19 AMPôrra! Isto é mesmo um país de eruditos e iluminados.Não admira que atinja os patamares que atinge em todas as áreas, incluindo a literária. Sim senhores! Já percebi porque é que para os trabalhos de "sapa "temos que importar mão-de-obra estrangeira: Somos todos uns Doutores.
Passe Bem
Zecatelhado
A maior parte dos comentários a este post demonstra a cultura instalada em Portugal, em que se mistura laxismo e incompetência com liberdade, uma cultura em que todos reivindicam direitos, mas se esquecem maioritariamente dos deveres.
É um exagero dizer que quem não escreve em português correcto não devia ter blogues? É verdade, mas se tal tipo de afirmações servir para pelo menos um blogueiro passar a ter mais cuidado com o que escreve, penso que a provocação já valeu a pena!
A língua portuguesa ainda é das poucas coisas que nos resta como sendo efectivamente nossa. Por isso, ou a preservamos, usando-a correctamente e divulgando-a ou, a breve prazo, estaremos a falar brasileiro, castelhano ou inglês...
Fernando, vou-te relatar um pormenor do meu professor de matemática do 11 e 12º ano. Ele descontava severamente aqueles que não apresentassem as equações num português correctíssimo, conjugando orações condicionais, conjuntivos pretéritos...Como ele costumava dizer, "Antes de tudo, era o verbo.". E foi o único professor que conheci que cumpriu todo o programa escolar um mês antes do fim previsto das aulas. No mês derradeiro, passámos a estudar matéria normalmente leccionada na universidade. Velhos tempos.
Afixado por Rui em dezembro 10, 2003 08:50 AMê cá pensava qe 2 e doius sã senpre catro. Agora já vi que só são quatro se forem redigidos correctamente.
Aliás, a Academia até anda muito rigorosa...
Por outro lado: quem não gosta não come.
Ó Fernando, não coma!
Un abrasso, fransisco nones
Afixado por Planície Heróica em dezembro 9, 2003 07:03 PMPois é... Escrevesse eu o post só até metade, e tudo estaria bem. Mas não. Tive que ser bruto e malcriado.
Mas depois de reflectir profundamente sobre o assunto, penitencio-me publicamente por todos os meus erros de juízo:
-Eu pensava que saber escrever português não devia ser exclusivo de profissionais do jornalismo e da literatura.
-Eu pensava que um advogado que não soubesse redigir uma petição, ou um matemático que não soubesse elaborar uma tese, eram analfabetos.
-Eu pensava que Liberdade não era sinónimo de bandalheira.
-Eu pensava que ao «não voltar lá» (técnica da avestruz que sempre me metera nojo), as calinadas continuavam.
-Eu pensava que os nossos escritores premiados soubessem conjugar o verbo «haver».
-Eu pensava que quem estudou anos e anos, e faz regularmente erros do tipo «nós soube-mos», é iletrado.
Eu pensava tudo isso e muito mais, até ver a luz.
Descobri, finalmente, as mentiras que eram as minhas verdades (ou vice-versa).
Eu era um ditador(zinho), mas agora estou curado. Aleluia.
Oh, Fernand (inho), para um «Cidadão do Mundo» não anda a ter uma visão muito redutora disto tudo?
Ou é defeito meu, que imagino um «Cidadão do Mundo» uma pessoa de vistas largas, generosa, compreensiva?
Passo a citar palavras suas: «E enquanto não aprenderem a escrever, poupem-nos de ter que ler as vossas bacoradas. A escrever assim, só tornam este país pior do que já é. O que, por isso, torna também a suspensão da vossa actividade bloguística, um acto de patriotismo.»
Olhe, pela sua arenga, se o Paulo Querido lhe dá ouvidos, eu vou ser dos primeiros a ir para o forno crematório. Farto-me de dar erros ortográficos (umas vezes por incompetência minha – sou de outra área – outras por diversos motivos que talvez, mais adiante, se ainda estiver com pachorra, lhe explique).
Não vou aqui entrar em muitas análises. Apenas lhe deixo, muito humildemente, uns singelos apontamentos. E perdoe-me lá os erritos, se forem daqueles que lhe dão calafrios pode apagar o comentário, faxafavor, quê nã mim porto...
- Tanto quanto sei, a blogosfera não é nem um espaço literário nem um jornal, onde só é admitida gente com carteira profissional.
- Há blogues de todos os géneros e feitios – Viva a liberdade!
- A liberdade é extensível aos blogueiros visitantes. Ficou incomodado com a falta de lustro literário de alguns? Tem bom remédio. Não volte lá. Não é simples? :)
- Quanto aos erritos ortográficos e de sintaxe que são causa do seu agastamento, é certo que, quando alguém escreve há do verbo haver sem h ou «nós percebe-mos», o mais provável é ser mesmo erro ortográfico, por ignorância ou distracção do autor.
Mas, ó Fernandinho, isso da sintaxe tem muito que se lhe diga, ou não será?... Pelos seus rigorosos critérios, tão apegados às regrinhas ortodoxas da gramática escolar, o que seria de tantos escritores premiados e consagrados, alguns até com o Nobel? Diga-me lá - que eu sei que está farto de os ler, alguns, se calhar, até os sabe de cor -, aquilo não é uma misturada de frases, um sucessão de vírgulas, uns sujeitos trocados com os predicados, enfim, um atropelo das mais elementares regras?!...
Meu caro Fernando, uma coisa é chamar a atenção aos bloguistas para o cuidado na ortografia e, vamos lá, na sintaxe, até dar-lhes úteis conselhos de leitura, outra é propor a erradicação desses pretensos «iletrados e analfabetos» (são palavras suas) da blogosfera. Cuidado com os ismos (estalinismos, fundamentalismos, etc, etc, etc)
Sempre ao dispor.
Caro Fernando,
Obrigado pela atenção e pelo comentário.
Temos interpretações diferentes sobre a mesma realidade.
Não resisto a um pequeno e incidental comentário adicional.
Eu sempre entendi que antes das regras, deveria existir uma consciência colectiva do fim que em abstracto pretendem defender. Essa identidade colectiva pode ser expressa numa linguagem. Nos gestos. Nas práticas. Nos comportamentos. Mas quando passam para o Direito Positivo, o que deve imperar na escolha da limitação é a importância do desvio, ou a gravidade do comportamento que magoa a consciência colectiva. Por exemplo: se alguém for convidado para uma cerimónia com um protocolo especifico eu não tenho um olhar reprovador sobre alguém que ainda não assimilou integralmente as regras que pelas mais diversas ilusões estão predefinidas. Entendo que a prática contribui para a aprendizagem. Não me parece razoável pedir:
“…E enquanto não aprenderem a escrever, poupem-nos de ter que ler as vossas bacoradas. A escrever assim, só tornam este país pior do que já é. O que, por isso, torna também a suspensão da vossa actividade bloguística, um acto de patriotismo.
P.S. - Quando me refiro ao “queijo” é em sentido figurado, talvez para convidar à colação de “quem mexeu no meu?”
Caro Pai da Inês,
não concordo nada consigo acerca da liberdade de cada um escrever como entender. Pode alguém alterar a História como quiser? Ou inventar um resultado qualquer num problema de Matemática? Então, porque há-de ser assim com o Português? Para que é que perdemos tempo a estudar a nossa língua? Escreve-se de qualquer maneira e pronto.
Quem escreve nos blogues, até pode descender de pais com a quarta classe (eu, por exemplo).
Compreendo que quem não estudou dê erros, apesar de duvidar bastante que alguém nessas condições tenha um blogue. Além disso, os filhos de pais com grandes dificuldades, quando conseguem estudar, são geralmente melhores alunos que os que nasceram com o cu virado para a lua. Sabem bem o que lhes custa.
O meu desabafo é contra os que (supostamente) estudaram e andam por aí a dar pontapés na gramática. Alguns até se estão a borrifar para isso. Sabem que erram e nada fazem corrigir os erros. Não marginalizo ninguém que não teve acesso à cultura. Passo-me é com os que tiveram, e continuam analfabetos.
O facto de não gostar de regras, não implica que elas não sejam para cumprir, e não me parece que escrever mal tenha alguma coisa a ver com criatividade ou com queijos.
Um abraço e volte sempre.
Não concordo. Não concordo. Não concordo. Não vejo mal nenhum em que cada um seja livre de escrever como entender. Não gosto de regras. Não gosto dos queijos todos com a mesma forma. Com o mesmo sabor. Não gosto que matem a criatividade. A escrita deve ser livre. Quem tiver vontade de ser rigoroso pode ser. Ou não.
Sei uma coisa, a liberdade só existe quando não marginalizarmos os que não tiveram acesso à cultura e por isso estes comentários podem ser muito feios.
Marginalizam a opinião de quem possa temer não ter rigor nas palavras, ou os naturalmente “anti sintaxe”.
Um estudo da Universidade do Minho, revelou que cerca de 40% dos alunos descendem de Pais com a 4ª Classe. É normal que as pessoas com outras vidas e dificuldades, tenham perdido tempo a cozer sapatos para ajudar a família enquanto outros sejam sobreviventes das salas de cinema e de bibliotecas itinerantes. Um luxo, comparado com o cheiro da cola.
Sou tentado a dizer que devem uma desculpa “Ao Cidadão do Mundo”.
Subscrevo a 100% este post. Não que eu seja perfeita, também devo fazer erros de vez em quando mas, por exemplo, é inadmissível que ainda se façam erros de confusão do à e do há. Há quem já saiba que faz esse erro e continue a fazê-lo simplesmente porque nem está para se dar ao trabalho de corrigir ou reler o que escreve...
A ignorância não é defeito, querer persistir nela é que está errado!
Parece que, afinal, sempre vai sair, Ana.
Pois é Cath. Haverá casos desses, mas serão muito raros. Quando escrevi este post, tinha acabado de dar uma volta a blogues de meter medo ao susto. Nem te conto...
Afixado por Fernando em dezembro 7, 2003 12:50 PMMas, sabe? As vezes percebo que as pessoas melhoram a ortografia justamente por quererem manter um blog apresentavel. Como diria o grande Pessoa, "tudo vale a pena se a a alma nao eh pequena".
Afixado por cath em dezembro 7, 2003 12:31 PMMas é melhor lerem os manuais só depois de sair de lá o Regulamento do Big Brother.
Afixado por Ana Afonso em dezembro 7, 2003 11:56 AM