Ainda não tinha acontecido a troca de olhares...no entanto, para ambos, a noite era o momento ideal...a lua, a escuridão e a solidão de que esta se faz acompanhar...tudo isso pertencia aos dois...
Nessa noite, eles conseguiram ver que, afinal, nos seus olhares, havia um brilho desconhecido.. e uma cor que teimava em permanecer instável.
Esta era uma noite em que imperava o vento e o seu suave assobio...o seu sopro aninhou-se no corpo de ambos...provocando um suave arrepio nas suas peles...
Estas pareciam suplicar pelo toque húmido e lânguido do desejo...
Ele tímido, mas nunca hesitante...ela tímida, hesitante, à espera da quase certa rejeição.. Tinha medo.
O vento embriagante fe-la libertar-se desse momento angustiante e encaminhou-a na direcção correcta.
Ele sussurrou-lhe um beijo...ela levou, delicadamente, demoradamente, os seus hesitantes lábios aos dele...num gesto demorado e enevoado...Toque sublime e doce...
Ela sentiu-se, de repente, agarrada pela cintura...os seus seios, já acariciados pelo vento, roçam suavemente no peito dele... ele beija-a na pálpebra e na face...nos lábios e na orelha...como se se tratasse de uma lenta e demorada conquista de um corpo desejado...
Um jardim sombrio...um único candeeiro liberta um incerto tom amarelo-luz-de-vela...
Mais à frente um banco corrido, duro e frio.
Cedo os seus corpos cederam ao contacto mais intimo que desejavam e que se fazia adiar...
Dois corpos inquietos transbordantes de desejo inflamado...
Sentaram-se...ela por cima....olhos que se fundem uns nos outros...as suas coxas envolvendo as ancas dele...
O desejo imponente fez com que as mãos de ambos percorressem os seus corpos num movimento infinito...
Beijos muito intensos...
A respiração ofegante...
Ela acariciou-o todo...num só gesto...profundo, firme mas sempre carinhoso...
Olhos semicerrados de prazer...gemidos impossíveis de serem controlados...
O êxtase de uma paixão que um dia me pediu para que fosse anunciada...