"Segue Teu Destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver
só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe
a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam."
Nuno Júdice
Um beijo.
A imagem de um silêncio que, embora encerrado pela casa, não fica indiferente perante a natureza que dança, parece-me.
Este poema também não fica indiferente às coisas que nele habitam, prosaicas, observa-lhes a beleza e participa delas.
Que beleza de poema, LE! "Quadra-me" bem este epicurismo suave que desconhecia no Júdice. Sabe qual o livro?
beijo
sete-sóis, tinha saudades tuas. Sabes que é estranho (mas gratificante), ver essa tua argúcia de leitor e sensibilidade de poeta ter como objecto, não Pessoa ou E. Andrade, mas a minha poesia? Tu lês(-me) perfeitamente
beijo grande
Gostei desta tua Primavera...
Julgo que LE se enganou ao atribuir ao Nuno Júdice uma ode de Ricardo Reis...
Um abraço a ambos
Olá, Amélia :-)
Parece Reis. Vamos ver se LE. nos esclarece.
beijinho
Se não é R.R. parece Horácio, digo eu, não sei, há muito que não os leio. O Nuno Júdice, o poeta português da actualidade de que mais gosto, não me parece. Mas pode ser. Pode ser. Tenho de voltar aqui a ver se o LE agora me tira as dúvidas .
Afixado por austrolopiteco em março 17, 2004 04:25 PMÉ de Ricardo Reis (pág. 34 da ed. da Assírio & Alvim).
O engano do LE. fez-me folhear o livro, reler aqui e ali, e estou-lhe grata por isso. E pela sensibilidade com que escolhe um poema que responde exactamente à minha elegia. Reis é o mestre que escolheria para mim, assim conseguisse seguir-lhe o rumo.
É de facto Ricardo Reis. Fiz uma troca, e, inclusivé, com as estâncias desformatadas. Desculpe, Sol.
Este é o Poema, dedicado e com o mesmo sentido, contudo, como veio ao mundo. E, assim compete.
"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam."
Ricardo Reis
És linda alma, Soledade, tuas palavras são como guarnições bordadas na cortina branca da composição que nos apresenta.
Beijo de Paz...
Afixado por Eduarda em março 19, 2004 04:43 AMA primavera é um mundo sussurrante e vivo. Nunca me hei-de esquecer as semanas a fio em que, diariamente, me sentava a medir o acrescentar do tamanho dos brotos verdes da nova folhagem das tílias da Praça Filipa de Lencastre (Porto), a partir das vidraças da SICAL (onde ia de propósito almoçar).
Media SUSSURROS, que mais ninguém ouvia... De propósito, ali me sentava e ficava em silêncio.
Lindo, Soledade.
o contraste,silêncio e sons. a primavera pode ser uma provocação quando a obsrvamos assim com um olhar só aparentemente distante.
beijos
"Media SUSSURROS, que mais ninguém ouvia..."
Parece-me que tem aqui o verso de um novo poema, Stwart :-)
bj
Beijo de Paz para ti também, Eduarda.
Afixado por Soledade em março 27, 2004 02:34 AMSim, Eugênia, os sons da vida que irrompe, lá fora; os silêncios da vida que se medita, cá dentro.
beijo :-)