Comentários: A avaliação

Gostaria de poder fazer um comentário relacionado com o tema da avaliação. O dito rigor dos dois testes por período e respectiva média revela-se, realmente, desastroso! Disto é prova o que eu ouvi de uma aluna, esta semana. A menina, aluna do 10º ano, estava aflita, porque tinha tido 4 valores no primeiro teste de história e (Ai Jesus me acuda!!) não se sentia preparada para conseguir o tão necessário 16 no teste seguinte. Acontece que, neste hábito dos dois testes por período, todos os professores marcam os testes na mesma época e, logicamente, na mesma semana!! Aconteceu que,esta menina de olhos azuis, tão doce e inteligente, ficou com gripe no fim-de-semana passado. A muito custo, veio fazer os teste de história na 3ªa-feira, cheia de febre e sem disposição nenhuma. Ela é uma rapariga inteligente e, na minha aula, «trabalha «que se farta!». Não entendo como é que uma pessoa como ela, que diz que não terá, sequer, um 10 neste teste, vai ter uma classificação tão baixa numa disciplina. Ela diz que sabia a matéria, mas que teve azar! Ora, eu perguntei-lhe, por minha vez, quando é que teria oportunidade de mostrar ao professor que até sabe tudo aquilo. Disseram-me, a rir que já não haveria mais nenhum teste neste período. Não perceberam, e com razão, o que eu lhes queria mostrar, logo, expliquei: com tantos testes seguidos, como é que têm tempo para estudar para um, de cada vez?; se agora a menina tiver 16 valores, porque sabe bem esta "matéria", o que é que acontece em relação à "matéria" que ela não sabia quando teve 4 valores?; O professor não sabia, do trabalho e discussão com os alunos, que ela sabia tudo aquilo?; a nota é, simplesmente, a média de dois testes, e o resto?; etc, etc, etc... Os garotos ficaram com uma sorriso tipo: «Olha, esta está nisto há pouco tempo e não sabe como se dá notas... é natural, foi isto que eles viram fazer a vida toda! Infelizmente, uma pessoa que até sabe muito daquilo que lhe foi «ensinado», não terá boa nota, que é aquilo que os aluno buscam a todo o custo. Pela simples razão que o professor faz dois testes por período e, de certeza, não sabe sequer o que é que os seus alunos sabem. Mas a «freak» sou eu, que mantenho os meus registos em dia e pareço uma doida nas minhas aulas, de mesa em mesa, a trabalhar COM os míudos. Obviamente que a avaliação que eu faço do trabalho e aprendizagens dos meus alunos está longe de ser perfeita ou completa, mas eu, pelo menos, tento perceber o que eles não sabem e tento incutir-lhes a ideia de que estão ali para aprender e não só para conseguir a nota mais alta com o menor esforço possível. Peço desculpa pela extensão do meu comentário, mas tinha que dizer isto, e já está!

Afixado por Cristina Duarte em março 26, 2004 05:33 PM