Recordo bem as osgas, nas paredes, as baratas correndo pelo chão em muitos sítios, algumas de tamanho considerável, e tenho bem presente a imagem dos bonitos lagartos azuis que abundavam nas árvores espalhadas pela cidade. Eram de um tom azul-eléctrico, muito lindo e perfeitamente pacíficos.
Vinte e um meses? Sortudo! Eu estive por lá 28! Acharam que gostei tanto do Luso que me fizeram estar mais quatro meses à espera de ser substituído, apesar de não ser legal exceder o tempo. Mas, como sempre, teoria é uma coisa, prática é outra, por vezes bem diferente.
Vinte e um meses de Luso porque, ainda no Continente, escrevi ao ministro a dizer que estávamos há muitos meses mobilizados e por isso descontaram-nos cinco meses na comissão. Mesmo assim ainda estive um mês à espera de rendição.
Tudo Somado fiz 41 meses de tropa. Quando embarquei já tinha vinte.
Um mês depois de ter regressado fiz 25 anos de idade.
Era o op.cripto mais velho em tempo de tropa e em idade, em Angola.
Lembro-me do pôr-do-sol, das árvores carregadas de frutos (mamões, peras abacates, mangas, bananas)no norte de Angola... Da chuva diluviana (aparecia uma espécie de fumo de cigarro no céu à tardinha que se transformava em núvem e depois o céu escurecia e a chuva caía torrencialmente), das picadas, dos rios...
João Paes