Comentários: TESTAMENTO de GUILHERMINA SUGGIA

"A Suggia tomou-a Agustina Bessa Luís, in "A Muralha"

Afixado por Jorge Moniz em abril 8, 2004 10:38 AM

É uma vergonha nacional. Suggia ter deixado um violoncelo destinado a instituir o prémio com o seu nome, pelo Conservatório de Música do Porto, e a sua vontade não ser cumprida. De quem é a culpa? Do Conservatório? da Câmara? Não sei. Sei que o que acontece é uma autêntica vigarice, para além da falta de respeito pela memória de Suggia.
Abençoado Stradivarius deixado a Londres. Talvez fosse mais útil à música ter deixado os dois a Londres.

Afixado por Rui Afonso Pimenta em abril 8, 2004 02:36 PM

É lamentável na verdade, Suggia ser esquecida na sua própria terra. E mais lamentável, ainda, não serem cumpridas as suas disposições testamentárias.

Este país tem de facto uma grande tendência para esquecer os seus valores, destruir os seus talentos. É pena que assim seja.

Afixado por vm em abril 11, 2004 02:27 AM

O Stradivarius foi vendido pela casa Hills, que prescindiu da comissão para que o prémio a atribuir fosse maior. O prémio continua a ser atribuído anualmente. As escolas donde saem os alunos premiados fazem anúncios na imprensa da especialidade, demostrando a honra de delas terem saído os premiados. O violoncelo continua a ser usado. Neste momento é tocado pela violoncelista do AMAR QUARTET.

Em Portugal o prémio foi atribuído 5 vezes. A CMPorto fez uma compra que não pagou, segundo consta.
A biblioteca legada ao Conservatório não terá um o uso que devia ter. Por interesse de 2 violoncelistas em conhecerem o concerto para 2 violoncelos de Emanuel Moór( dedicado a Suggia no 1º violoncelo e a Pablo Casals), com a provável hipótese de vir a ser tocado por aqueles 2 violoncelistas numa homenagem a Suggia, foi feito um pedido ao Conservatório há vários meses no sentido de ser facultada a partitura e, até este momento, não houve qualquer resposta.

A casa onde Suggia morreu está abandonada e à venda.

O violoncelo Lockey Hill legado ao Conservatório de Lisboa em homenagem a seu pai, esteve 30 e tal anos à chuva do sótão do Conservatório, tal como muitos outros instrumentos, passou depois para os subterrâneos de Mafra, até que foi aberto o Museu da Música, na estação de metro do Alto dos Moinhos, onde hoje se encontra.

Ai Portugal, Portugal!

Afixado por vm em abril 11, 2004 12:06 PM

Não há nenhuma entidade legal que obrigue ao cumprimento das decisões testamentárias?
Neste caso são valores nacionais que estão em causa. Deviam ser protegidos. O que Suggia determinos devia ser rigorosamente cumprido.

Afixado por f. silva em abril 11, 2004 03:34 PM

queria escrever "o que Suggia determinou". Obviamente.

Afixado por f.silva em abril 11, 2004 03:35 PM

Não tenho conhecimentos jurídicos para saber se existe maneira de fazer cumprir o que Suggia determinou em testamento.
Contudo, parece-me que tudo tem muito a ver com a maneira de ser dos portugueses: desprezo absoluto pelos seus valores.Foi assim com Suggia quando veio de Leipzig. Era chamada a tocar em todos os grandes teatros da Europa. Em Portugal não valia a pena. Como era de cá havia muitas oportunidades de a ouvirmos.
Foi assim com Luisa Todi que foi tão importante e morreu quase na miséria, "metendo cunhas" para que se arranjasse emprego para um filho.E assim com Maria João Pires. É mais fácil receber um empréstimo sem juros dum banco espanhol do que receber aquilo que lhe foi prometido por entidades oficiais.
AnaBela Chaves quase que foi escorraçada das nossas orquestras e é 1ª violetista da Orquestra Nacional de Paris.

Mas que raio de gente que somos!

Afixado por vm em abril 12, 2004 10:38 AM