“Somos constituídos de tal modo que vivemos em quatro estados de consciência; mas, tal como somos, só utilizamos dois: um, quando dormimos, e outro, quando dizemos que estamos “acordados”, isto é, no estado presente, quando podemos falar, ouvir, ler, escrever, etc. mas esses são apenas dois dos quatro estados possíveis. O terceiro estado de consciência é muito estranho. Se alguém nos explicar o que ele é, começamos por pensar que o temos. Esse estado pode ser chamado de consciência de si e muitas pessoas, se lhes perguntarem a respeito, dirão: “Sem duvida somos conscientes”. É necessário um tempo suficiente ou esforços repetidos e frequentes de observação de si antes que reconheçamos verdadeiramente que não somos conscientes, que só potencialmente o somos. Se nos perguntam, dizemos: ”Sim, eu sou”, e nesse momento somos, mas, no momento seguinte, deixamos de nos lembrar e não somos conscientes. Assim, no processo de observação de nós mesmos, temos a percepção de que não estamos no terceiro estado de consciência, de que vivemos somente em dois. Vivemos no sono, ou num estado de vigília que o sistema chama de consciência relativa. O quarto estado, denominado consciência objectiva, é nos inacessível, porque só pode ser atingido através da consciência de si, isto é, começando primeiro por se tornar consciente de si, para mais tarde poder conseguir alcançar o estado objectivo de consciência.”
in “O Quarto Caminho “, P. D. Ouspensky, Ed. Pensamento