Sanguínea de António Carneiro (1923)
Existente no Conservatório de Música do Porto
Se eventualmente não se souber, este António Carneiro irmão do compositor Carlos Carneiro.
Afixado por carlos a.a. em abril 26, 2004 05:38 PMPenso que António Carneiro era pai de Carlos Carneiro, pintor modernista e irmão do compositor Claudio Carneiro. Estarei errado?
Penso ter trocado o nome do irmão pelo do filho.
Contudo, não estou certo.
Nunca estamos contentes com o que temos!
Como ficava bem aqui o som da bela canção de Gabriel Fauré, "Après un Rève", interpretada por um grande violoncelista, a acompanhar este suave desenho a lápis sanguíneo que retrata, de uma só vez, a figura e a arte da grande Suggia! Em traços vagos, o violoncelo envolve-a, junto com as suas roupagens, como que fundindo tudo num só corpo.
António Carneiro, poeta e pintor, (pai de outro pintor, Carlos Carneiro, e do grande compositor Cláudio Carneiro, cuja viúva teve a bondade de me mostrar, há mais de 20 anos, a parte do espólio artístico da família que lhe coube, em herança) reflectia o seu idealismo simbolista, não só nas paisagens que pintava mas também nas fisionomias que desenhava. Tal como faziam, às imagens irreais, por elas criadas, os pré-rafaelitas ingleses, o nosso pintor adoçava as marcas que as lutas desta vida deixam nas fisionomias, elevando os seus retratados a um ideal quase angélico.
Não obstante, reconhecemos bem esses modelos, um tanto transfigurados pelos “ sonhos de beleza” do seu autor, como escreveu, em “Cartas de Torna Viagem”, Eugénio de Castro – também, por ele, assim retratado : “ (...) esse olhar, dotado de um prodigioso poder de penetração, devassava os recessos mais íntimos da minha personalidade (...). Em frente de tais retratos, um datado de 1915, e outro de 1923, tenho ainda hoje a impressão, não de que me vejo a um espelho, mas de que estou fazendo o meu exame de consciência”. E, mais adiante, o poeta de Coimbra - também ele tão injustamente ausente da memória dos portugueses - reconhecia “a astuciosa evidência com que (o pintor) privilegia certas linhas e feições...”.
Este desenho é pois o complemento indispensável de tantos outros que existem da nossa violoncelista, esquecida pelos seus compatriotas – e até pelos seu conterrâneos portuenses – mas não pelos meios musicais estrangeiros.
Desfeitos os equívocos: António Carneiro era afinal pai de Carlos - o pintor , e de Cláudio - o Compositor.
Este desenho de Suggia é, na verdade, obra de um enorme artista. A sua expressão está carregada de um enorme simbolismo. Dir-se-ia que ao olhá-la escutamos mesmo o "Après un rêve"
Afixado por vm em abril 27, 2004 12:12 PMToda a razão na correcção que me fez. A minha indução em erro adveio do facto de o filho, Carlos, ter um traço muito idêntico ao de seu Pai, pelo menos neste retrato.
Afixado por carlos a.a. em abril 28, 2004 02:45 PMPara que fique tudo esclarecido. Eu errei por ignorância, dando Cláudio como irmão de António. E não é verdade. António Carneiro, pintor simbolista, era pai de Carlos, pintor modernista e de Cláudio, compositor. Espero que não hajam agora confusões
Afixado por vm em abril 28, 2004 03:55 PM