Comentários à leitura "Aqui não lanço a âncora"

Para além da existência de âncoras (e esta realidade é susceptível de discussão pelo que tal significa, nomeadamente em termos de efectividade desse cenário, que é), importa que exista em nós a capacidade de as construir e moldar de acordo com as nossas necessidades.
O mundo onde nos encontramos inseridos, porque implica a convivência com muitas situações, assim como a participação (activa) nas mesmas, para além dos relacionamentos que tal envolve ou pode (sempre) envolver, implica que isso se verifique.
Questiono-me, mesmo, se o nosso voluntário isolamento, ou procura e vivência do que é único e particular em nós, não remete igualmente para a necessidade do sentir da presença de âncoras.
Estas acabam por estar sempre "lá", ou por estar sempre "aqui", connosco. Connosco e entre nós e os outros. Connosco e entre nós e o mundo.
O lançar da âncora acaba sempre por se verificar. O que pode ser diferente é os mares onde o fazemos ou a profundidade que esse lançamento pode atigir.
Por outro lado, será igualmente de atender a força que temos para a agarrar e a luta que conseguimos travar com as correntes (que mais ou menos fortes, sempre existem) que nos envolvem ou onde acabamos por, voluntária ou involuntariamente, nos envolver.
É que um escapar de mão, inesperado, mesmo que a culpa não seja da corrente, pode ter consequências absolutamente determinantes.
O agarrá-la com força, o vir ao de cima e a capacidade de lustrar essa âncora é, em todos os cenários, aquele que ainda melhor se pode pintar, fotografar ou desenhar...conforme as preferências.

Sandra

Dito por Sandra no dia 27 de setembro 2003, às 12h43

"O lançar da âncora acaba sempre por se verificar. O que pode ser diferente é os mares onde o fazemos ou a profundidade que esse lançamento pode atigir"

Esta frase resume bem e muito melhor do que eu o poderia dizer, aquilo que penso.

As âncoras existem sim e nós precisamos de algumas delas. Por muito eremitas ou individualistas que sejamos, alguns outros são sempre essênciais na nossa vida. E isso não é mau ;)

Depois existem as âncoras financeiras... Essas sim, podem tornar-nos um pouco escravos. Claro que será sempre uma escolha nossa, uma questão de opções, mas nem todos temos o espírito "mochila às costas". A mim irrita-me a âncora que me prende a este lugar, este país.


E existem aqueles que não vivem sem âncoras. E que nem se apercebem que toda a vida viveram presos.

Dito por dolphin.s no dia 27 de setembro 2003, às 14h13

Sem dúvida preferível uma âncora (que iça e larga quando queremos) do que um "ponto fixo" que nos marca um eixo de rotação.

Um barco no entanto, deve estar livre e não fundear em dias de tempestada, porque "preso" pode quebrar e afundar...

Dito por carlos no dia 29 de setembro 2003, às 12h17