Comentários: Mecânicos da ucharia agrícola

Posso acrescentar, com a devida licença, que não era incomum o abegão dar 'uns toques' na tosquia...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por Planície heróica em setembro 27, 2004 02:01 AM

Texto interessante e a provocar pesquisa.
Ainda bem que as águias estão pousadas!

Afixado por JORGE RAIMUINDO em setembro 27, 2004 07:57 AM

Encontrei, por busca, uma entrada sua do ano passado consagrada ao Borda D'Água, que acabei de comprar há poucas horas. Refere, a dado momento, que é o único almanaque... Não sei se se trata de um exagero voluntário, talvez até de um elogio. Na verdade, neste momento, que eu saiba, publicam-se pelo menos mais dois almanaques com estas características: o Seringador (reportório Crítico-Jocoso e Prognóstico Diário), fundado por João Manuel Fernandes de Magalhães e editado pela Lello Editores e o novíssimo Ribeirinho (dedicado ao conhecimento ribeirinho e ao saber tradicional sobre espécies marinhas), publicado pelo cristiano gandra, um rapaz que tem dedicado a vida à divulgação da fauna marítima e da vida nos oceanos. Como deve saber os títulos deste tipo de publicações contam-se às centenas desde que Abraão Zacuto, judeu português, publicou o se Lunário Perpétuo (se não me engano),ainda na Idade Média. Há poucos anos a Biblioteca Nacional realizou uma exposição sobre almanaques e publicou um bom catálogo sobre a matéria. também sou um comprador habitual do Borda D'Água e dos outros dois, e um apreciador deste tipo de publicações, mas considero com pena que o velhinho almanaque continua tristemente igual a si mesmo. Muito abaixo do que seria possível, mesmo mantendo o conservadorismo do formato e do grafismo. O famoso Zaragozano publicado em Espanha deixa-o a milhas e no entanto continua fiel ao ideário rural, que o Borda d'Água reproduz já sem chama. Vale pelo calendário.

Afixado por José Gustavo em setembro 27, 2004 02:29 PM

De facto, existem algumas diferenças entre Ferrador e Ferreiro, tem um pouco a ver com certas zonas da "nossa" região do Endovélico. Ferrador profissão das mais antigas muitas vezes com oficinas (nos montes tinha algumas nuances)onde se encontrava a forja onde se faziam os diferentes moldes para cascos de mulas, cavalos, e burros. Escolhido o tipo de ferradura de acordo com a variedade do terreno a pisar e com as características do animal, este era colocado para ser ferrado numa armação de madeira apropriada à tarefa e a que se chamava "Tronco".
Para maior segurança prendia-se os beiços do animal com um instrumento a que se dava o nome de "aziar". O ferrador preparava os cascos com os desbastes precisos para ser colocada a ferradura com "cravos" batidos a martelo.

Quanto ao Ferreiro, o essencial já referenciado, apenas uma achega com alguma carga mais histórica. Foi sobretudo a partir da Idade Média que o ferro (numa escala até aí nunca conhecida)começou por ser utilizado no fabrico de alfaias domésticas e agrícolas. Com o desenvolvimento das feiras e mercados os objectos de ferro serviam como objectos de troca por outros artigos e/ou como meio de pagamento de serviços, dada a inexistência de circulação monetária.
Nessa altura e em alguns locais o ferreiro acumulava também as funções de ferrador: executava grande quantidade de utensílios para animais.
Numa época de grande instabilidade e insegurança social, os instrumentos de defesa era feitos em ferro.
Desde essa época, uma oficina de ferreiro ocupava no mínimo, 4 pessoas: uma que acarretava o ferro, a lenha e o carvão para a forja; outra que se destinava apenas a alimentar a fornalha e que se chamava "foleiro"; mais um ou dois trabalhadores malhavam/batiam o ferro e por último havia um "mestre" do ofício que executava as peças.
Durante séculos e séculos, este ofício manteve-se próspero, activo e com grande prestígio social.Num passado mais recente as oficinas de ferreiro situavam-se perto das abegoarias(oficina de carpintaria grossa). Eram ofícios complementares na construção de alfaias.
Os ferreiros estiveram também muito ligados à medicina popular ( curar o cobro - irritação cutânea, etc ).
Joaquim, espero não ter maçado em demasia mas apeteceu-me divagar um pouco sobre o assunto. Já sei que para a próxima "levo nas orelhas"... é mesmo assim!
Um abraço.

Afixado por Albardeiro em setembro 28, 2004 12:57 AM

Precisando muuuuuuuuito encontrar alguma edição do Lunário Perpétuo. Dicas?
Obrigada...

Afixado por Fernanda em novembro 15, 2004 04:31 PM