Rui,
Penso que os indicadores estatísticos são importantes para avaliarmos alguns aspectos do nosso desenvolvimento enquanto sociedade.
Os critérios que referes no primeiro parágrafo são importantes. Quanto às análises que se podem fazer sobre os valores obtidos em cada um desses critérios, isso já é outro assunto.
Sabes se existem alguns critérios definidos pela ONU para classificar coisas como "pobreza" e "pobreza extrema"?
A ONU através de vários organismos, colabora e dinamiza o estudo da pobreza um pouco por todo o mundo e em vários estudo sob o seu patrocínio encontras vários indicadores.
Um limiar da mediana (ou da média) do valor do rendimento geralmente 50 ou 60% é uma das indicações. Contudo o enfoque da ONU, da OCDE, do Eurostat e até crescentemente do Banco Mundial tem sido no sentido de criar uma bateria de indicadores aplicados num mesmo momento a uma mesma sociedade, precisamente para teres uma imagem mais fina do problema e também para mitigares as insuficiências de um indicador meramente relativo. O cálculo de indicadores de privação ou mesmo de indicadores sintéticos de privação (crias um índice tendo por base a ausência de certas condições ou bens que consideras relevantes) é outra das abordagens complementares, assim como a avaliação subjectiva aferida junto das pessoas.
Quanto a situações extremas de pobreza (que na maior parte do planeta SÃO o problema) costuma aferir-se pelo cálculo de uma cabaz alimentar mínimo (cesta básica como lhe chamam os nosso amigos brasileiros) - e o seu custo - apurando-se depois quem tem capacidade financeira para o adquirir - neste caso abandonas boa parte da relatividade do problema ainda que subsista o "como definir o cabaz".
A metodologia utilizada pelo INE encontra-se harmonizada a nível da União Europeia sendo que existem estudos exploratórios para procurar outras vertentes de análise. A maior lacuna na nossa informação estatística (além da falta de divulgação e da divulgação com menor desfazamento face à recolha dos dados) talvez seja a dificuldade que temos em avaliar da persistência da pobreza. O máximo que vamos tendo com os dados disponíveis é uma avaliação a três, quatro anos mas verdadeiramente importante é ter uma percepção geracional da pobreza - julgo que haja alguns investigadores a estudar esta outra perspectiva.
Uma pesquisa no arquivo Adufe e na Net dá-te muita informação sobre o assunto.
Concordo em absoluto com a sua visão do Rendimento Mínimo. Não acha estranho que estes senhores que se dizem apologistas dos ideais cristãos, sejam tão pouco "católicos" nestas matérias de solidariedade?
Por curiosidade, teve oportunidade de analisar um quadro comparativo do Banco de Portugal onde se estabelece a evolução do lucro e dos salários relativamente ao Pib, de 1973 a 2003?
Vou postá-lo no meu blog hoje à noite ou amanhã.
O quadro fala por si.