Sobre esta melindrosa questão de «liberdade de imprensa» que, na minha opinião, é a verdadeira alma da vida democrática, há a considerar que tanto mais pode ela exercitar-se quanto maior for o nível cultural dos intervenientes. Há que ter em conta que sempre, ao longo da história, toda e qualquer forma de escrita, predecessora dos actuais orgãos de comunicação social, foi considerada um instrumento de poder. E ainda mais nas sociedades em que o sagrado se sobrepunha ao profano - das hierarquias egípcias à escolástica medieval - circunstância segundo a qual eram os grupos de elite que detinham o monopólio desse poder. Ora todos os Grupos de Elite gozam tradicionalmente dessa auréola de Cultura e é por ela que se justificam e, ao mesmo tempo é por ela que sustentam o poder. No nosso caso, poderão acontecer duas coisas : ou de facto as pessoas são realmente cultas e servem todo o público sem interesse algum a não ser esse mesmo: serem veículo de formação/informação; ou então, manobrados por intenções ocultas de defesa de interesses privados tentam singrar, através de águas turbas, por terrenos que, mais tarde ou mais cedo, acabam por ser a sua própria auto-destruição. E isto porque servem apenas de intermediários de alguém que, as mais das vezes, apenas veêm na «comunicação social» um mero campo de negócio a que o tempo se encarregará de transformar em 'beco sem saída'. Será caso para dizer, na segunda acessão: " os cães ladram e a caravana passa ! "
Frassino Machado