Comentários: Consciência

Caro Carlos, deixe-me discordar por completo da possiblidade de cada um, conscientemente, poder ou não abortar. O aborto, ou seja, a morte provocada a um ser humano não pode ser tido como uma questão de consciência individual. A lei não o pode permitir, sob pena de vivermos numa civilização que não respeita a vida.
Não concordo com a criminalização do aborto, mas também acho que a lei não pode, pura e simplesmente, ignorar o acto de alguém por fim à vida de um ser humano. Existem outras penas que não apenas a pena de prisão. Exemplos: inúmeros deveres cívicos a bem da sociedade...

Afixado por Peixoto em dezembro 16, 2003 11:29 PM

Don't get too cocky.

Afixado por Robbie em dezembro 17, 2003 04:00 AM

Uma confusão que muita gente faz, talvez porque muita gente consciente e voluntariamente o fez antes, é a de considerar que o primeiro referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez foi válido e que os Portugueses se pronunciaram num dos sentidos.

Confusão essa que alimenta o argumento segundo o qual não se pergunta duas vezes a mesma coisa às mesmas pessoas. (Com o qual eu até concordaria).

O referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez - o primeiro referendo a realizar-se em Portugal - não conseguiu mobilizar a percentagem mínima de eleitorado (50%) para que pudesse ser considerado válido. Mais: a abstenção passou dos vergonhosos 70%. Numa democracia jovem, mas madura como era (e é?) Portugal na altura, uma abstenção deste calibre devia encher-nos a cara de vergonha.

Como é que tanta gente afirma que "os Portugueses já expressaram a sua opinião - disseram não"?! É 'preciso ser intelectualmente desonesto para afirmar que o referendo é conclusivo e que favorece a manutenção do actual quadro legislativo.

Os Portugueses disseram que não queriam saber do asunto. Ponto. A democracia representativa que trate do assunto, a assembleia que decida.

Afixado por Vasco Leal Figueira em dezembro 29, 2003 02:25 AM