Comentários: Em defesa da educação

Esse senhor conhecerá a qualidade dos inspectores?
Há inspectores que já defenderam todo o tipo de pedagogias... sempre sincera e empenhadamente!

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por Planície Heróica em fevereiro 8, 2004 11:16 PM

Francisco, pelo que eu percebi ele não defendia a variante inspectores. Referiu sim a moda antiga e salazarenta dos inspectores. Penso que ele defendia uma via moderna: «E há a moderna. O empregador dessas pessoas, que é o Estado, faz um exame de entrada e pergunta ao professor de Português: em que ano nasceu Camões, foi no século XVIII ou no XVI? Não sabe isto, não entra. Ou quanto é que é um terço mais um quarto? Um futuro professor de Matemática tem de saber responder.
Estou a caricaturar, mas a ideia é esta: o empregador deve fazer um exame às capacidades científicas do candidato a professor. Uma instituição que formasse 200 pessoas com 18 valores e em que nenhuma conseguisse entrar na carreira ver-se-ia assim obrigada a reformular os seus critérios.»

Afixado por vmar em fevereiro 8, 2004 11:36 PM

Os docentes culparem a sociedade pela má qualidade do ensino é excessivo. É verdade que essa mesma sociedade através das associações de pais deveria ser mais participativa nas questões que se prendem com a educação dos seus filhos, mas sobretudo a responsabilidade é principalmente dos docentes, não óbviamente em relação aos programas que pelos vistos não são sequer consultados, mas em relação ao seu empenhamento profissional. Normalmente aqueles que mais vocacionados se sentem na profissição melhor se empenham em leccionar e conseguem tirar partido disso através do aproveitamento escolar que os seus alunos acabam por ter. Aqueles que andam pelos estabelecimentos de ensino motivados apenas e só pela manutenção do
emprego e o recebimento do ordenado ao fim do mês, óbviamente os seus alunos acabam por ser as
vítimas da sua pouca vocação ou eventual desmotivação. Claro que no meio disto tudo o Ministério é o principal responsável porque não
realiza uma política séria no âmbito da educação.
E como não saímos disto o resultado vê-se. Cada vez mais insucesso escolar e abandono por parte dos jovens que nalguns casos nem o 9º. ano chegam
a concluir.

Afixado por congeminações em fevereiro 8, 2004 11:37 PM

Raul, não tenho a certeza o que o Nuno Crato queria dizer com a culpa também é da sociedade.
Mas posso sugerir várias hipóteses: vão para professores muita gente que não arranjando colocação noutro lado, vêem o ensino, o último recurso para ganhar a vida. Sem apetência para o ensino a maioria deles nunca será um bom professor.
As escolas vivem isoladas da sociedade. Os maioria dos pais só vai à escola quando há grandes problemas com os filhos – alguns nunca vão. O poder local, as empresas, os agentes locais vivem de costas voltadas para a escola. A sociedade queixa-se do ensino, mas ninguém está disposta a colaborar na resolução do problema.
O Ministério da Educação e as estruturas que gerem o ensino não têm regras eficientes para gerir a qualidade do ensino, tanto a nível docente, como a nível pedagógico ou ao nível dos manuais escolares. Os edifícios e o apetrechamento das escolas é o que se sabe.
Se o Nuno com “sociedade” se queria referir a estas questões então eu estou de acordo com ele. É evidente que em todo o processo os professores também têm a sua quota parte de culpa. Penso que há muita gente com culpas no cartório. Em último caso, todos nós somos culpados, porque pactuamos com esta situação.
Mas o mais importante neste momento, não é encontrar culpados, mas resolver o problema.

Afixado por vmar em fevereiro 9, 2004 01:10 AM