Chamem-me conservador, português de merda ou o que quiserem, mas eu acho que a liberdade de um termina onde afecta a de outro.
Por isso, como o Joel, defendo o casamento homossexual, é algo que apenas afecta duas pessoas livres que desejam viver sozinhas. Quando isso já afecta terceiros, tenho dúvidas, sérias dúvidas sobre o resultado final. Não sou contra nem sou a favor. Também não sou o Professor Cavaco. Tenho dúvidas. E muitas. E eu que sou pai, tenho muita relutância em que essas dúvidas sejam dissipadas à custa de experiências com crianças.
Agora de uma coisa não tenho dúvidas, a adopção por um casal homossexual é sempre preferível à vida num lar, onde por muito amor que as educadoras possam ter pelas crianças, a sensação é sempre de um depósito de crianças abandonadas pela sociedade.
Chamem-lhe preconceito, mas no desempate entre um casal hetero e um casal homo com tudo o resto igual, eu entrego a criança ao casal hetero.
Tenho sempre a sensação que as pessoas têm medo do que não conhecem. Ele é fazer amizades com casais gay e ver que tomara muitos de nós terem pais como aqueles....
Afixado por Claudia em março 10, 2004 05:08 PMNuno: se saires da tal situação limite (e bem vistas as coisas até aí) tudo fica muito mais complicado e chegas depressa a alguns confrontos inevitáveis entre vários princípios. A Sarah toca num argumento forte que é o de teres de rejietar que a família tradicional seja um modelo de virtudes inquestionável dotado de algum tipo inquestionável de supremacia. Já hoje tens éne crianças educadas por um único pai, por tios, avós, irmãos, porquê descriminar a possibilidade ou a qualidade de um casal homo? Porquê atribuir-lhe um desfavor devido à sua opção sexual quando na decisão de adoptar um criança? A capacidade de amar, o perfil psicológico, as condições materiais são tudo factores que deverão ridicularizar em grau de importância uma qualquer suspeita de risco adjacente à homosexualidade dos pais. O que está em causa verdadeiramente é a capacidade que alguém que se propõe adoptar tem para ser bem sucedido a criar a criança.
Não há nenhuma avaliação que te garanta coisa alguma: nem que um casal hetero não entrará em disrupção (segundo os padrões de normalidade de que falamos implicitamente), nem que um casal homo é incapaz de dar uma educação equilibrada por ser o que é.
Acho que a Claudia aqui sugere uma forma de simplificarmos o dilema. Não tenho a mínima dúvida que me ajudaria muito consolidar estas minhas ideias se conhecesse melhor aqueles de quem falo. Temos medo do que não conhecemos, o que não tem de ser mau. Depende do que decidimos fazer quanto a isso.
Afixado por Rui MCB em março 10, 2004 09:55 PM