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Uptime do servidor: 09 outubro 2004Henrique FialhoO Henrique Fialho faz anos em Novembro (30) e o seu blog também (1). Não sabíamos disso, mas tão só da invulgar qualidade do blogger e do seu blogue. As perguntas que lhe enviamos foram respondidas de pronto, para serem mais espontâneas, como ele afirmou. Aconselhamos que as leiam também de pronto. Assim como o blogue ! Como nasceu o blogger que és? O blogger que sou nasceu em finais de Julho de 2003, cozinhado numa máquina de lavar sopa, às tantas da madrugada. Quero dizer, acabada uma farra de guitarradas, fumos, álcool e, claro está, poesia, alguém perguntou: «Eh pá, o que é isso de um blog?» Depois, outro alguém explicou: «É um diário online.» Por fim, ainda outro alguém sugeriu que avançássemos para a coisa. Surgiu isto: A máquina de lavar sopa. Meia dúzia de dias passados e já ninguém se lembrava das passwords. Foi o fim da primeira grande aventura. Entretanto o vício pegou-se, autonomizei-me e nasceu, em Agosto de 2003, esta grande dor de cabeça: Extravaganza. Acho piada como depois de ter desfeito o weblog, ainda permanecem online algumas páginas. Haverá maneira de apagar, pela raiz, todo esse passado? Só para terminar, que a conversa já vai longa, o Extravaganza foi o meu weblog durante três meses, altura em que viria a criar o Universos Desfeitos.
Dizer que sou poesia, parecerá, inevitavelmente, “piroso”. Todavia, estou convencido que todo o ser humano é, pelo menos em parte, poesia. Logo, também eu serei, pelo menos em parte, poesia. A minha relação com a poesia não é de mero gosto. A coisa é mesmo obsessiva. Diria que há quem dê sentido à vida, olhando para Deus; outros, para os astros; outros, para partidos políticos; outros, para seja aquilo que for; eu dou sentido à minha vida, lendo poesia, escrevendo poesia. «A poesia é para comer». É mesmo. E para beber e para respirar. Sou uma espécie de fundamentalista poético. O que, de certo ponto de vista, é bom. Não mato ninguém. O mais que pode acontecer é causar alguns vómitos.
Esta não é fácil. Ou se calhar até é, só que eu não estou bem a ver. Primeiro, o weblog: o Universos Desfeitos nasceu na sequência dos weblogs anteriores, para ser um espaço de partilha, desabafos e experimentação. Às vezes acho que também tem uma função terapêutica, mas isso são contas de outro rosário. No início não estava sujeito a qualquer tipo de organização. Depois, como que arrumei a casa. A ideia foi dedicar-me com maior exclusividade àquilo que, entre outras coisas, me prende realmente à vida: a poesia. Agora há, de facto, uma certa organização que passa, sobretudo, por três vertentes: divulgar poesia (escrevendo sobre livros que vão sendo publicados, mostrando poemas de autores diversos, expondo formas alternativas de expressão poética); experimentar poesia (escrevendo e publicando, automaticamente, os meus próprios poemas ou textos poéticos); pensar a poesia (reflectindo, mais ou menos profundamente, mas sempre de uma forma autónoma, não engajada, independente de quaisquer capelinhas, o mundo da poesia, a própria poesia). O Poemário é apenas uma componente de um destes vectores: divulgar poesia. O critério é simples: sem olhar a correntes, publicar poemas que me agradem pela sua autonomia, independentemente de estarem submetidos a este ou àquele estilo. Há ali poetas para todos os gostos e poemas para gregos e troianos. E assim é que é bom, acho eu. Há um outro critério que já tive de explicar lá no weblog: a selecção dos poetas e respectivos poemas é exclusivamente pessoal e obedece ao facto de eu ter lido qualquer coisa desse poeta num livro, numa antologia, numa revista, etc.. Já tenho ouvido as pessoas falarem nestes termos e fico sempre com a sensação de que há aqui qualquer coisa que não bate certo. O weblog é parte da vida. Sou professor, tenho uma família, uma filha linda, bons amigos. Ainda não tenho 30 anos, porra. Se não tivesse vida para além do weblog, pelo menos que tivesse um bom psicólogo. Gosto de jantaradas, concertos, cinema, teatro, exposições. Se me perguntares se prefiro ficar em casa a publicar coisas no weblog ou ir ver uma exposição, beber um copo, entre outras alternativas, não hesitarei na resposta. Bem, para ser sincero, acho que dependerá da exposição. Mas depois também é dessas coisas da vida que o weblog se faz, não é verdade? No fundo, o weblog é o meu brinquedo adulto. Quando era pequeno tinha carrinhos, tropinhas e cadernos para desenhar com lápis de cor. Agora tenho um weblog. P.S.: também escrevo muita coisa que não publico no weblog.
Henrique Manuel Bento Fialho. Um blogger, quatro nomes. Queres deixar alguma mensagem? Saúde. Comments
Muito bem!! Parabens. Continua a divulgar a boa poesia Posted by: sigmundo at outubro 12, 2004 09:25 PM |